O candidato à Presidência da República Renan Santos afirmou nesta quinta-feira (10) que a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares, pode acabar beneficiando eleitoralmente o senador e também candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A operação, realizada pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), investiga a destinação de recursos de emendas parlamentares que teriam sido repassados, por meio de organizações da sociedade civil, para estruturas relacionadas à produção de Dark Horse, documentário sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos principais alvos da investigação é o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo e roteirista do filme e aliado político de Flávio Bolsonaro.
“O ELEITOR NÃO LIGA PARA A CORRUPÇÃO”
Na avaliação de Renan Santos, a repercussão da investigação pode ter efeito limitado sobre o cenário eleitoral. Segundo ele, a exposição decorrente da operação pode aumentar a visibilidade de Flávio Bolsonaro.
“Tem (impacto para) Flávio crescer. Imagino que sim, ele vai crescer por estar aparecendo mais. Está bem claro que o eleitor não liga para a corrupção. Então, o impacto que você tem nessas coisas é diminuto.”
A declaração foi dada ao comentar os possíveis efeitos políticos da Operação Make Up e das investigações envolvendo pessoas ligadas à produção de Dark Horse.
CRISE NO STF
Renan Santos também comentou a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que, em sua avaliação, o episódio tem pouca repercussão entre os eleitores.
“Ninguém está dando a mínima para a crise do STF.”
A declaração ocorre em meio a uma série de decisões e disputas envolvendo ministros do Supremo, entre elas questões relacionadas às investigações sobre o Banco Master e à Operação Make Up.
OPERAÇÃO MAKE UP
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A investigação apura suspeitas relacionadas à utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Entre os alvos está Mario Frias, que teve o celular e sete armas apreendidos. Segundo as informações apresentadas sobre a investigação, o deputado é suspeito de envolvimento em irregularidades relacionadas ao repasse de aproximadamente R$ 2 milhões em emendas de sua autoria.
Também são investigados a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme, e Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro.
As suspeitas investigadas pela Polícia Federal ainda não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos alvos. A apuração deverá reunir documentos e outros elementos para esclarecer a destinação dos recursos públicos.
