O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil. As declarações foram dadas em entrevista à revista francesa Le Point, publicada nesta semana.
Ao comentar a relação com Lula, Milei chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e afirmou que o petista teria articulado “golpes sujos” contra ele durante a campanha presidencial argentina de 2023. O argentino também criticou a forma como Lula deixou a prisão, afirmando que isso ocorreu por meio de uma suposta articulação envolvendo um “juiz cúmplice”. As declarações foram feitas por Milei e não foram acompanhadas, na entrevista, de novas provas para sustentar as acusações.
Milei afirmou ainda ter “grandes esperanças” na vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 4 de outubro. Segundo o argentino, o brasileiro poderia realizar, caso eleito, “as reformas liberais necessárias”.
Na entrevista, Milei também acusou Lula de ter enviado especialistas em comunicação e psicólogos para Buenos Aires durante a campanha presidencial de 2023. Sem apresentar provas ou citar nomes, afirmou que o suposto líder dos “provocadores” na Argentina seria um estudante brasileiro que receberia pagamentos do governo Lula.
A declaração faz referência à participação de uma equipe de cerca de 20 publicitários brasileiros na campanha de Sergio Massa, adversário de Milei na eleição argentina de 2023. Segundo apuração da CNN Brasil na época, Sidônio Palmeira, atual ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, teria sido sondado por Lula para atuar na campanha de Massa, mas recusou e enviou emissários para auxiliar os argentinos.
Milei também defendeu medidas adotadas por seu governo para impedir a entrada ou expulsar estrangeiros acusados de realizar ataques contra a Argentina. Segundo ele, pessoas que atuavam como agitadores, inclusive sob a condição de jornalistas, fotógrafos, professores ou estudantes, já deixaram o país.
Durante a entrevista, o presidente argentino também criticou a Organização das Nações Unidas (ONU) em relação à disputa pelas Ilhas Malvinas, defendeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Milei também afirmou que pretende disputar a reeleição na Argentina em 2027.
Apoio a Flávio Bolsonaro
A aproximação entre Milei e Flávio Bolsonaro ganhou destaque em julho, quando o presidente argentino participou da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador à Presidência.
Na ocasião, Milei subiu ao palco e declarou que Flávio seria o único candidato capaz de derrotar Lula. O argentino também defendeu uma agenda liberal e afirmou que os eleitores deveriam pensar nas próximas gerações ao escolher o caminho político do país.
As novas declarações de Milei ocorrem poucos dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro.
