A investigação que levou à deflagração da Operação Vectura Corrupta, nesta quinta-feira (17), aponta para uma possível atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no financiamento de campanhas eleitorais e na articulação de apoio político.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), diálogos extraídos de celulares apreendidos durante as apurações mencionam o financiamento da campanha de Danilo Morgado (PL) e citam José Ronaldo Alves de Sales, ex-funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), como possível intermediador dessas relações.
A operação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos estão Morgado e Milton Leite (União Brasil), ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Até o momento, nove pessoas foram presas, incluindo Morgado, candidato a deputado estadual pelo PL.
Possível financiamento de campanhas
De acordo com o MPSP, as investigações identificaram indícios de possível envolvimento do PCC no financiamento de campanhas para as eleições municipais de 2024.
As mensagens analisadas pelos investigadores fariam referência às campanhas de Danilo Morgado e José Ronaldo Alves de Sales. Segundo a investigação, os diálogos também indicariam a participação de integrantes da organização na definição ou interrupção de aportes financeiros e na busca por apoio político.
As apurações apontam ainda para possível interlocução entre integrantes da organização, advogados e empresários, além de uma suposta tentativa de influência sobre integrantes do Poder Legislativo.
Quem são os investigados
Entre os alvos citados no despacho judicial estão Milton Leite; Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; o advogado Milton Mello Milreu; o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias; Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira; Carla de Paulo Muller; o advogado Cicero Jose dos Santos Filho; Danilo Marco Morgado Silva; Edivania Arruda Botelho Alves, conhecida como “Lalinha”; Edson Antonio de Souza, o “Peru”; Eduardo Medeiros, conhecido como “Galo”; José Ronaldo Alves de Sales, o “Ronaldo Cuba”; e Julio Salvador Filho.
As descrições individuais dos investigados foram apresentadas pelo relator do despacho judicial “a título de exemplo, sem pretensão de esgotar todo o conjunto de provas”, com base nos elementos reunidos pela polícia e pelo Ministério Público.
A base probatória mencionada inclui diálogos extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos, documentos, informações financeiras e outros elementos obtidos durante a investigação.
O relator ressalta, porém, que as informações são analisadas em “juízo de cognição sumária” e que “não se pretende, neste momento, antecipar juízo definitivo acerca da responsabilidade penal dos investigados”.
Portanto, as acusações e vínculos descritos na investigação ainda dependem do devido processo legal e não representam condenações definitivas.
Operação mira transporte público
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para investigar uma possível infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
A ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. As investigações são um desdobramento da Operação Decúrio e também apuram suspeitas relacionadas a empresas de transporte, licitações, movimentações financeiras e possíveis relações entre integrantes da organização criminosa e agentes do setor público e político.
Defesa de Milton Leite
Em nota, Milton Leite afirmou que está viajando e negou estar foragido. O ex-vereador disse ainda que pretende se apresentar às autoridades e provar sua inocência.
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.”
Defesa de Danilo Morgado
A assessoria de Danilo Morgado confirmou a prisão e afirmou que o caso seria resultado de uma perseguição política. Segundo a defesa, o candidato havia sido anteriormente alvo de um pedido de prisão apresentado pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, após vídeos publicados por Morgado sobre supostas licitações relacionadas ao PCC no município.
A assessoria também questionou o momento da prisão, ocorrida durante o período eleitoral, e afirmou que considera a medida irregular.
“Meses atrás Danilo foi alvo de um processo onde se pedia sua prisão, movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão. Na época, o motivo do pedido de prisão foram vídeos publicados por Danilo, denunciando supostas licitações ligadas ao PCC dentro da prefeitura de Praia Grande, ou seja, Danilo trouxe a tona a mesma denuncia feita pelo delegado Dr. Ruy Ferraz Fontes.
Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso. A sequência dos fatos fala por si.
O coronel nunca muda seu modo de agir: intimida e tenta calar quem não se curva. Prenderam Danilo, mas despertaram milhares. Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve.
O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular. Isso não é investigação, é perseguição.”
A CNN Brasil informou que tenta contato com as defesas dos demais citados. O espaço permanece aberto para manifestações.
Com informações de CNN Brasil
