A farmacêutica Novo Nordisk propôs ao governo federal fornecer o Wegovy, medicamento à base de semaglutida, ao Sistema Único de Saúde (SUS) com desconto de 59%. A oferta foi apresentada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e contempla, nesta proposta, pacientes com obesidade e histórico de doença cardiovascular.
A negociação ocorre poucos dias depois de o Ministério da Saúde anunciar que pretende disponibilizar gratuitamente medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. O governo, porém, ainda não definiu quais medicamentos serão efetivamente incorporados, o volume de compras, os valores finais nem o cronograma de distribuição.
Segundo a Novo Nordisk, a proposta de fornecimento do Wegovy foi protocolada na Conitec em maio deste ano. O órgão é responsável por avaliar evidências científicas, eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário antes de recomendar ou não a incorporação de uma tecnologia ao SUS.
A oferta atual é direcionada a um grupo específico de pacientes com obesidade que já tenham apresentado eventos cardiovasculares. A estratégia apresentada pela empresa busca concentrar o tratamento em pessoas consideradas de maior risco cardiovascular.
Quanto o medicamento poderia custar
De acordo com levantamento citado pela Bloomberg Línea, uma caneta de Wegovy de 1 mg era comercializada por R$ 999 em uma grande rede de farmácias na segunda-feira (21), já considerando desconto oferecido pelo fabricante.
Tomando como referência o preço cheio de R$ 1.314,38, um desconto de 59% levaria o valor para aproximadamente R$ 538,90 por caneta. Esse cálculo, no entanto, representa apenas uma estimativa a partir do preço de referência e não corresponde necessariamente ao valor que seria pago pelo governo em uma eventual compra pública.
Na mesma comparação, versões nacionais de semaglutida, como Ozivy, da EMS, e Semavy, da Hypera, eram comercializadas por cerca de R$ 464,81 a caneta de 1 mg, segundo o levantamento citado.
Decisão da Conitec ainda é necessária
A eventual oferta do Wegovy pelo SUS depende da análise da Conitec e das etapas posteriores de incorporação. Em 2025, a comissão havia recomendado a não incorporação da semaglutida para uma indicação específica: pacientes com obesidade grau II e III, sem diabetes, a partir de 45 anos e com doença cardiovascular estabelecida. A decisão foi formalizada pelo Ministério da Saúde em setembro daquele ano.
A proposta apresentada agora pela Novo Nordisk ocorre em um cenário diferente, marcado pela entrada de novos medicamentos no mercado brasileiro e pela estratégia do Ministério da Saúde de ampliar o acesso aos agonistas de GLP-1. O governo afirma que conduz estudos para avaliar o uso dessas tecnologias no SUS e também vem estimulando a produção nacional e a concorrência para reduzir os preços.
Segundo o Ministério da Saúde, já existem 14 produtos registrados no país e alguns medicamentos da classe chegaram ao mercado com preços até 70% inferiores aos de produtos anteriormente disponíveis.
Governo ainda não definiu quando haverá distribuição
Apesar do anúncio de que as chamadas “canetas emagrecedoras” serão disponibilizadas de forma gratuita pelo SUS, ainda não há data definida para o início da distribuição em escala nacional. O Ministério da Saúde informou que a disponibilização será feita de forma responsável e que estudos estão em andamento para avaliar a utilização dos medicamentos na rede pública.
O Wegovy é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da obesidade em adultos, associado a uma dieta com redução de calorias e à prática de atividade física. Em maio de 2026, a Anvisa também aprovou, em situações específicas, uma dose de manutenção de até 7,2 mg semanais para adultos com obesidade que não tenham obtido resposta clínica adequada com a dose de 2,4 mg.
Assim, a oferta da Novo Nordisk representa uma proposta em análise e não significa que o Wegovy já esteja disponível gratuitamente no SUS. Ainda são necessárias avaliações técnicas, definição de preço, condições de fornecimento e eventual decisão de incorporação pelo governo.
