Um novo tipo de míssil, projetado para explodir e se fragmentar antes de atingir o solo, foi utilizado pela primeira vez em combate pelos Estados Unidos durante a guerra contra o Irã. O armamento deixou um amplo rastro de destruição e dezenas de mortos, incluindo civis, segundo relatório de um instituto especializado.
Os Estados Unidos lançaram três Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM, na sigla em inglês) contra a cidade de Lamerd, no sul do Irã, no primeiro dia da guerra no Oriente Médio. Na mesma data, outro ataque, realizado com um míssil Tomahawk, atingiu uma escola em Minab e matou centenas de crianças e professores.
Em Lamerd, o ataque atingiu uma escola e um centro esportivo. Segundo análise do monitor de conflitos Airwars, a composição dos mísseis ampliou o número de vítimas e a destruição. Foram pelo menos 21 civis mortos, incluindo sete crianças. Algumas das vítimas estavam a apenas 50 metros do ponto da explosão.
O PrSM foi desenvolvido para explodir no ar e liberar dezenas de milhares de fragmentos metálicos densos em alta velocidade e em diferentes direções. O armamento é apresentado pelo fabricante como um míssil balístico de nova geração. Estados Unidos, Reino Unido e Austrália estão entre os países que investiram bilhões de dólares para incorporar o sistema a seus arsenais.
Fotos, vídeos e imagens de satélite do local após os ataques em Lamerd foram analisados pelo Airwars e verificados pela Associated Press (AP). As imagens mostram prédios, ruas e veículos fortemente atingidos por impactos, em um padrão de destruição que, segundo especialistas, é compatível com as características do PrSM.

FOTO: Edifício e carro com diversos buracos após ataque aéreo em Lamerd, no sul do Irã, em 28 de fevereiro de 2026. — Alireza Ameri/Tasnim News Agency via AP
O Airwars foi o primeiro a mapear o raio dos danos provocados pelo bombardeio com PrSMs em Lamerd, seis meses após o início do conflito, e estimar o alcance letal do armamento utilizado. O relatório chama atenção para os riscos do emprego de armas de fragmentação em áreas densamente povoadas.
As Forças Armadas dos Estados Unidos confirmaram o lançamento de PrSMs contra o Irã e destacaram seu “primeiro uso na história” em combate. No entanto, negaram que o armamento tenha sido utilizado contra Lamerd.
Até a última atualização da reportagem, não havia sido esclarecido qual era o alvo pretendido no ataque à cidade. Um complexo da Guarda Revolucionária do Irã fica nas proximidades da área atingida, mas imagens de satélite não mostraram danos na instalação.
Seis especialistas em armamentos, incluindo dois ex-integrantes das Forças Armadas, disseram à AP acreditar que PrSMs foram utilizados contra Lamerd. Eles também consideraram improvável que armas israelenses ou iranianas tenham sido empregadas no ataque.
Os especialistas afirmaram ainda que as Forças Armadas deveriam evitar o uso do PrSM contra alvos localizados próximos a áreas civis.
“Seria difícil encontrar uma justificativa para usar o PrSM em uma área densamente povoada”, disse Michael Meier, ex-assessor do Exército dos EUA sobre as leis da guerra.
Em março, o governo de Donald Trump assinou um contrato com a fabricante Lockheed Martin para acelerar a entrega de novos mísseis PrSM.
Mísseis em Lamerd provocaram danos a grande distância dos pontos de explosão
O Airwars identificou imagens de uma escola em Lamerd que foi danificada pelo míssil que explodiu sobre o Complexo Esportivo Shahid Naimi, localizado a aproximadamente 170 metros do prédio.
A explosão matou sete civis, a maioria crianças, segundo a imprensa estatal iraniana. O Airwars afirma ter utilizado informações de código aberto para confirmar as mortes.
Entre as vítimas estavam três adolescentes que jogavam vôlei e uma mulher que fumava narguilé em frente à própria casa.
Uma segunda explosão, registrada sobre o bairro de Tal-e Khandagh, matou Avina Barzegar, de 2 anos, que brincava no quintal de casa. O Airwars estima que o fragmento que atingiu a menina percorreu cerca de 50 metros a partir do ponto da explosão.
A organização chegou a essa conclusão após geolocalizar a residência da criança com base em um vídeo que mostrava o portão de entrada e calcular a distância até o local da explosão.
Nem o Airwars nem a AP encontraram relatos que apontassem a morte de militares ou integrantes das forças de segurança nos ataques. Também não foram identificadas evidências de que instalações militares tenham sido atingidas.
Com informações de g1
