O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) tem feito críticas, nos bastidores, à condução da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Segundo informações do Metrópoles, o parlamentar avalia que problemas de organização e estratégia podem prejudicar o desempenho do petista na disputa presidencial.
Entre os principais pontos de discordância estaria a demora da campanha para reagir à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
De acordo com a publicação, Lindbergh considera que o PT demorou a apresentar uma resposta ao episódio e ficou exposto durante vários dias nas redes sociais. Lula posteriormente passou a defender publicamente a quebra do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master.
A avaliação atribuída ao deputado é de que a campanha não poderia se limitar à apresentação de propostas enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) utiliza a crise no STF como um dos principais temas de sua estratégia eleitoral. O embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e seus desdobramentos já passaram a ter impacto direto na corrida presidencial.
A própria campanha de Lula reconheceu internamente o potencial de desgaste provocado pelo caso. Integrantes do núcleo mais próximo do presidente realizaram reuniões para discutir formas de evitar que a imagem de Lula fosse associada à de Moraes. A equipe também encomendou pesquisas qualitativas para avaliar a percepção dos eleitores sobre a crise e ajustar o discurso eleitoral.
Além da condução da crise institucional, Lindbergh teria apontado problemas relacionados à organização da campanha, incluindo dificuldades na agenda de Lula, falta de materiais eleitorais e atrasos na distribuição do fundo eleitoral para aliados.
As críticas ocorrem em um momento de crescente preocupação dentro da campanha petista com os efeitos eleitorais da crise. Levantamento da Quaest divulgado em 7 de setembro mostrou aumento da desaprovação ao governo e empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.
