O Instituto Gritos de Liberdade (IGL) protocolou uma representação na Corregedoria-Geral da Polícia Federal pedindo a apuração de uma possível relação entre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O documento foi apresentado em 8 de setembro e solicita a abertura de uma Investigação Preliminar Sumária.
Segundo a representação, o instituto quer esclarecer quem teria custeado viagens e atividades sociais de Rodrigues e verificar se houve eventual tentativa de interferência em procedimentos relacionados ao Banco Master. Um dos episódios citados é a participação do diretor-geral no Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, em abril de 2024, com patrocínio do banco.
O IGL solicita que sejam levantados documentos referentes a passagens, hospedagem, alimentação, transporte e outras despesas relacionadas à viagem. A entidade também cita um relatório da PF baseado em dados extraídos do celular de Vorcaro, no qual uma pessoa que teria se apresentado como assistente de Rodrigues perguntou aos organizadores sobre os custos da viagem. Segundo a representação, os responsáveis pelo evento teriam informado que todas as despesas seriam pagas pela organização.
A representação também pede esclarecimentos sobre supostos encontros envolvendo charutos, convites para corridas de Fórmula 1, ingressos e participação de familiares em eventos relacionados ao banco.
Outro ponto levantado pelo instituto envolve declarações atribuídas a Vorcaro em depoimento a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça. Segundo o documento, o empresário teria classificado como “cordial” sua relação com Rodrigues e mencionado viagens e atividades sociais.
A representação afirma ainda que existem versões divergentes sobre a proximidade entre os dois. Conforme o documento, Rodrigues teria afirmado a interlocutores que encontrou Vorcaro apenas uma vez. Por isso, o instituto pede que agendas, comprovantes e outros registros sejam analisados e que os dois sejam ouvidos separadamente sobre eventuais encontros.
O IGL também cita mensagens nas quais Vorcaro teria mencionado os nomes “Andrei” e “Paulo” ao tratar de possíveis medidas envolvendo o Banco Master. A representação pede que a Corregedoria verifique se as referências poderiam estar relacionadas a Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e se eles tiveram conhecimento das solicitações.
O próprio documento, porém, ressalva que as mensagens, isoladamente, não comprovam que Rodrigues tenha recebido os pedidos ou atuado para atendê-los. A entidade também solicita análise sobre eventuais propostas de colaboração feitas por Vorcaro e a participação do diretor-geral da PF nesses procedimentos.
As alegações ainda são objeto de apuração e não estabelecem, por si só, irregularidade por parte de Andrei Rodrigues. A representação ocorre em meio à crise institucional envolvendo o Banco Master e integrantes do STF e da Polícia Federal. Recentemente, Rodrigues foi afastado por decisão de André Mendonça, mas a medida foi suspensa posteriormente por determinação do ministro Flávio Dino e, depois, por Edson Fachin.