O governo brasileiro rejeitou incluir nas negociações comerciais com os Estados Unidos uma exigência relacionada à participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO.
Segundo interlocutores que acompanham as tratativas, um documento apresentado por representantes do governo de Donald Trump à diplomacia brasileira em outubro do ano passado reunia 21 demandas dos Estados Unidos durante as negociações sobre o tarifaço.
Entre os pedidos estava o compromisso de realizar eleições presidenciais “livres e justas” e de não deter, prender ou limitar “arbitrariamente” a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral.
O governo brasileiro, porém, não aceitou incluir questões políticas e institucionais internas nas negociações comerciais. Com isso, o documento não foi incorporado às tratativas entre os dois países.
O texto também apresentava demandas relacionadas à liberdade de expressão, decisões brasileiras envolvendo plataformas digitais e ao cumprimento de sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos. Uma das exigências previa que o Brasil não aplicasse punições a instituições financeiras nacionais que cumprissem medidas determinadas pelo governo americano.
Na época, Donald Trump relacionava publicamente as tarifas impostas ao Brasil ao processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo empresas americanas de tecnologia. O governo Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, acusava Washington de interferência em assuntos internos brasileiros.
Em novembro, o Brasil apresentou uma contraproposta com os temas que aceitava discutir. As negociações comerciais entre os dois países continuam, e uma nova rodada de conversas é esperada para o fim de setembro, durante a reunião do G20.
O tarifaço que deu origem às negociações envolveu uma sobretaxa adicional de 40% anunciada por Trump em julho do ano passado. Somada à alíquota de 10% que já estava em vigor, a medida elevou para 50% a cobrança sobre parte dos produtos brasileiros.
Posteriormente, os Estados Unidos voltaram a impor sobretaxas ao Brasil, desta vez apresentando justificativas relacionadas a práticas comerciais, questões ambientais e ao combate ao crime organizado.