O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria afirmado a pessoas próximas, nos últimos dias, que não pretende recuar de sua posição no pedido de providências relacionado ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (21) pelo site O Antagonista, Fux teria dito estar “pronto para a guerra” diante dos desdobramentos do caso.
De acordo com a publicação, o ministro também não pretende mudar seu posicionamento mesmo diante das informações que passaram a relacionar seu filho, Rodrigo Fux, ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A reportagem afirma que Rodrigo foi procurado pelo banqueiro em novembro de 2024 para tratar de um recurso que tramitava no Supremo envolvendo a discussão de um precatório bilionário que poderia beneficiar empresas ligadas ao Banco Master.
O episódio passou a fazer parte do contexto da crise envolvendo ministros do STF e as investigações sobre o Banco Master. Segundo O Antagonista, integrantes da chamada “ala alexandrina” estariam tentando associar Fux ao caso por causa do contato envolvendo seu filho. A publicação afirma que, na avaliação de pessoas próximas ao ministro, essa movimentação não teria levado Fux a mudar sua posição. Essa interpretação, porém, é atribuída ao veículo e não constitui uma conclusão oficial do Supremo.
Fux não conseguiu acessar dados do celular de Vorcaro
Paralelamente à disputa dentro da Corte, Fux enfrenta uma dificuldade técnica para analisar a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal entregou ao gabinete do ministro, na quinta-feira (17), uma cópia dos dados obtidos do aparelho apreendido durante as investigações do Banco Master. O gabinete, entretanto, informou que não conseguiu acessar os arquivos.
Em ofício enviado no sábado (19) ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Fux pediu auxílio técnico para viabilizar o acesso ao conteúdo e solicitou também a conferência da integridade do material recebido.
O ministro apontou como possíveis causas do problema dificuldades técnicas ou algum defeito na mídia entregue pela corporação. A PF afirma que as cópias fornecidas aos ministros são idênticas à extração original e que o aparelho original permanece sob custódia da instituição.
Fux não é o único ministro a relatar dificuldades. André Mendonça, relator do caso Banco Master, também informou à PF que não conseguiu acessar efetivamente o material recebido e solicitou auxílio técnico e a verificação da integridade dos arquivos.
Dados estão no centro da crise no STF
As informações extraídas do celular de Vorcaro passaram a ter papel central nas discussões dentro do Supremo. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já haviam recebido cópias do conteúdo antes de Fux e Mendonça. Segundo a PF, os arquivos somam cerca de 500 GB e incluem mensagens, áudios, documentos e registros de atividade do aparelho.
O aparelho de Vorcaro foi apreendido em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A PF afirma que mantém o dispositivo original sob custódia, com mecanismos destinados à preservação da integridade dos dados.
Nesse cenário, a posição de Fux sobre o pedido relacionado a Moraes e o acesso aos dados do celular de Vorcaro se inserem em uma disputa que envolve diferentes ministros do STF e os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master. O acesso efetivo ao material ainda depende da solução das dificuldades técnicas relatadas pelos gabinetes.
