O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou suposto monitoramento ilegal de suas atividades.
Flávio afirmou que um “grupo especial de Lula” dentro da Polícia Federal teria sido “desmascarado oficialmente”.
A manifestação foi acompanhada por declarações de integrantes da campanha e aliados do candidato do PL em defesa de Mendonça e com críticas à cúpula da PF, ao ministro Alexandre de Moraes e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Chefe da PF, companheiro, camarada, amigo, irmão, brother, cupincha, parça, aliado, preposto, indicado, pau-mandado de Lula, acusado de liderar investigações clandestinas contra um ministro do STF. Grupo especial de Lula na Polícia Federal desmascarado oficialmente. Que a honrosa e gloriosa Polícia Federal volte a ter autonomia para ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula”, afirmou Flávio.
No entorno do candidato, a decisão foi tratada como um reforço ao discurso de que a cúpula da PF teria atuado politicamente durante a crise entre Mendonça e Moraes. Aliados também passaram a usar o episódio para ampliar as críticas a Moraes e atribuir a Lula responsabilidade pela permanência de Andrei no comando da corporação.
Rogério Marinho
O coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defendeu a manutenção do afastamento de Andrei Rodrigues e associou a atuação do diretor-geral ao governo Lula.
“Andrei Rodrigues precisa permanecer afastado. A PF não pode ter no comando alguém que vive no Planalto, despacha com Lula e paira sob suspeita em casos sensíveis. Isso afronta a instituição, contamina investigações e transforma a Polícia Federal em instrumento de aparelhamento e blindagem do governo”, afirmou Marinho.
O senador já vinha criticando o comando da corporação e, na semana anterior, havia anunciado que levaria à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime contra Moraes e Andrei.
Pressão sobre o Senado
A decisão de Mendonça também foi usada por aliados de Flávio para ampliar a pressão sobre o Senado por uma reação a Alexandre de Moraes.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), voltou a cobrar do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), o andamento do pedido de impeachment de Moraes. Segundo Portinho, o pedido já teria apoio de mais de 41 senadores.
“O Congresso, quando abre mão das suas funções, é capturado pelo Poder Judiciário, e há inúmeros exemplos disso tanto na gestão Pacheco quanto na gestão Alcolumbre. Não abrir o processo de impeachment que tem mais de 41 apoios de senadores é o mais sintomático, porque permite o desequilíbrio dos Poderes e fere sua harmonia”, afirmou.
Portinho também responsabilizou Lula por não ter afastado Andrei antes da decisão de Mendonça.
“A exoneração e o afastamento de Andrei pelo Lula eram medidas imediatas e necessárias, até para que pudesse se defender dos fatos, que são gravíssimos. Lula não o fez e deixou para o STF fazê-lo”, disse.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a decisão aumenta a pressão sobre Lula e sobre a escolha de Andrei para o comando da corporação.
“Decisão judicial se cumpre! Pressiona o Lula, Andrei e a indicação dele. Reforça o que sempre falamos, que tem uma PF paralela fazendo politicagem”, declarou.
Outras manifestações da oposição
O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), vice de Flávio na disputa pela Presidência, classificou o episódio como “gravíssimo” e afirmou que o afastamento reforça suspeitas de instrumentalização da corporação.
“Ministro André Mendonça e servidores teriam sido monitorados ilegalmente. Uma vergonha”, afirmou.
O senador Sergio Moro (PL-PR) também apoiou a decisão de Mendonça e afirmou que Andrei não teria condições de continuar no comando da PF.
“Todo apoio ao ministro André Mendonça. O diretor Andrei Rodrigues não tem condições de permanecer no comando da Polícia Federal. Se Lula se omite, as demais instituições têm que agir”, declarou.
Já o senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou ter apresentado uma representação pedindo a prisão preventiva de Andrei. Segundo ele, é necessário apurar quem teria determinado eventual monitoramento de Mendonça, quem teria executado a medida e qual teria sido a destinação das informações obtidas.
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e candidato ao Senado, André do Prado (PL), também manifestou apoio a Mendonça. Segundo ele, o afastamento permite uma apuração “com independência, transparência e sem qualquer interferência”.
Decisão de Mendonça
Além de afastar Andrei Rodrigues, Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar a atuação do diretor-geral.
O ministro também determinou o afastamento de Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.
Segundo Mendonça, as medidas são necessárias para permitir que integrantes do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exerçam suas funções “sem constrangimentos ilegais”.
Horas depois, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Andrei. Mendonça votou pela confirmação da própria decisão e foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes. A decisão cautelar permanece em vigor.
Embate entre Mendonça e Moraes
O episódio ocorre em meio ao embate entre André Mendonça e Alexandre de Moraes em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.
Na semana anterior, Moraes havia pedido que Mendonça fosse investigado por supostos crimes na condução de inquéritos sob sua relatoria. O pedido ocorreu após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.
Na decisão desta terça-feira, Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal pela Polícia Federal ao longo de agosto, com a produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação.
A divulgação de um desses documentos por Moraes havia sido utilizada pelo ministro para levantar suspeitas sobre a condução das investigações por Mendonça.
Com informações de O Globo.