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EL NIÑO: fenômeno deve ganhar força e atingir seu pico no fim de 2026, prevê OMM

Por Junior Melo
03/set/2026
Em Mundo
Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

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O El Niño deve continuar se fortalecendo nos próximos meses e alcançar uma intensidade considerada muito forte antes de atingir seu pico no fim de 2026. A previsão consta em uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

A projeção chama atenção pelo alto grau de confiança. Segundo os modelos analisados pela organização, há uma probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno permaneça entre setembro e novembro deste ano e também entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Para a OMM, a possibilidade de condições neutras nesse período é praticamente nula, enquanto não há indicação de retorno da La Niña.

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O El Niño e a La Niña são fases distintas do mesmo fenômeno climático, conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial apresentam aquecimento de pelo menos 0,5°C acima da média.

O cenário atual é sustentado pelo forte aquecimento do Oceano Pacífico e por alterações atmosféricas compatíveis com o fortalecimento do fenômeno.

A expectativa é de que o El Niño continue influenciando temperaturas e chuvas em diferentes regiões do mundo durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

A OMM, entretanto, ressalta que a intensidade do fenômeno não é suficiente, por si só, para determinar a dimensão dos impactos em uma cidade, país ou região específica. Outros fatores climáticos, incluindo as condições dos oceanos Atlântico e Índico, podem ampliar ou reduzir seus efeitos.

Nos próximos meses, a organização também prevê o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, além da permanência de águas mais quentes que o normal no Atlântico Equatorial. Esses padrões podem alterar os efeitos normalmente associados ao El Niño.

Por isso, mesmo regiões que historicamente apresentam mais ou menos chuva durante episódios fortes podem ter comportamentos diferentes a cada ocorrência.

“Já estamos vendo transtornos e devastação provocados por secas e enchentes, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

Pacífico apresenta forte aquecimento

Um dos principais indicadores do fortalecimento do fenômeno está na região conhecida como Niño 3.4, faixa do Pacífico Equatorial utilizada pelos cientistas para monitorar a evolução do El Niño.

Em maio, a temperatura da superfície do mar na região estava aproximadamente 0,9°C acima da média. Em julho, a diferença havia aumentado para 2°C.

Entre o fim de julho e meados de agosto, medições semanais apontaram temperaturas entre 2,2°C e 2,6°C acima do normal, indicando continuidade do aquecimento.

O calor também alcançou áreas abaixo da superfície. Segundo a OMM, em algumas regiões do Pacífico, as águas chegaram a registrar mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto.

Esse volume de água excepcionalmente quente contribui para a manutenção e o fortalecimento do El Niño nos próximos meses.

Os modelos climáticos analisados pela OMM indicam que a anomalia média da região Niño 3.4 pode chegar a aproximadamente 3,6°C entre setembro e novembro. O pico do fortalecimento é esperado entre novembro e dezembro.

Para novembro, isoladamente, a estimativa chega a 3,9°C acima da média. O número, porém, é uma projeção dos modelos e está sujeito a margem de incerteza.

Uma anomalia de 3,6°C não significa que todo o Oceano Pacífico ficará 3,6°C mais quente ou que a temperatura do ar aumentará na mesma proporção. O valor representa a diferença que a temperatura da superfície do mar em uma região específica poderá apresentar em relação à sua média histórica.

Previsão indica mais calor em grande parte do planeta

Além da atualização sobre o El Niño, a OMM divulgou uma projeção climática para o período entre setembro e novembro de 2026.

Os modelos apontam maior probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as grandes áreas continentais. Os sinais são especialmente consistentes em partes da África, América do Sul, Austrália e Ásia.

Na América do Sul, a tendência de temperaturas elevadas aparece principalmente entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul, área que engloba uma parcela significativa do continente. Ao sul dessa faixa, a previsão apresenta maior variação.

Para as chuvas, os modelos apontam cenários diferentes entre as regiões.

Na América do Sul, há maior probabilidade de volumes de chuva abaixo da média no noroeste e em áreas do norte. Em contrapartida, uma faixa do sudeste do continente apresenta maior chance de precipitações acima do normal.

O padrão é compatível com uma das características do El Niño: a alteração da circulação atmosférica pode deslocar os corredores de chuva, favorecendo períodos mais úmidos em determinadas áreas e condições mais secas em outras.

O que é o El Niño e quais são seus efeitos

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno integra o ciclo natural conhecido como ENOS, que possui fases quentes, frias e neutras.

O aquecimento do Pacífico modifica a circulação atmosférica e pode alterar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. Historicamente, o Sul tende a registrar mais chuva durante episódios de El Niño, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também pode contribuir para o aumento da temperatura média global. Durante episódios mais intensos, o planeta tende a registrar temperaturas acima da média, em um cenário que se soma ao aquecimento global.

A intensidade e os impactos variam de um episódio para outro. Além disso, com as temperaturas globais já mais elevadas, eventos considerados moderados podem produzir efeitos diferentes daqueles observados no passado.

Com informações de G1

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