O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) abriu um procedimento interno para analisar mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que fazem referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
As conversas foram extraídas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações do caso Master e passaram a integrar um relatório cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o documento da PF, Vorcaro teria mantido contato indireto com Gonet por meio do advogado Ciro Soares, que já atuou na defesa do Banco Master.
Mensagens citam contato entre Gonet e Vorcaro
Em uma das conversas, de 14 de abril de 2024, Ciro Soares escreveu a Vorcaro que “amizade é tudo” e que “Gonet é firme”. Em março de 2025, o advogado também encaminhou ao banqueiro uma fotografia ao lado do procurador-geral.
Em outro trecho analisado pela PF, Ciro teria enviado a Vorcaro a mensagem “Liga aqui” e, na sequência, afirmou: “Ele quer falar com você”. Segundo o relatório, depois dessas mensagens foram registradas quatro ligações entre Vorcaro e o advogado.
Dias depois, em 28 de março, Soares encaminhou ao banqueiro mensagens atribuídas a Gonet, incluindo manifestações de apoio e referências a uma viagem para Londres.
No dia seguinte, segundo o relatório, o advogado afirmou que Gonet havia perguntado se o filho de Vorcaro poderia viajar com o grupo para Londres. O banqueiro respondeu afirmativamente.
Despesas de viagem também aparecem nas conversas
Outra mensagem analisada pela PF é de 11 de abril de 2025. Uma funcionária de Vorcaro teria questionado quais pessoas estavam autorizadas a viajar para Londres com as despesas pagas pelo grupo.
De acordo com o relatório, Vorcaro não concordou com toda a lista apresentada, mas teria autorizado o pagamento das despesas de Pedro Gonet e Ciro Soares.
A menção a Pedro Gonet, no documento, é apresentada em conjunto com as referências anteriores ao procurador-geral da República.
Vorcaro fala em “proteção” de Andrei e Paulo
Outra conversa, registrada em 30 de outubro de 2025, também chamou a atenção dos investigadores. Antes de sua primeira prisão, Vorcaro escreveu que seria necessário reforçar com “Andrei e Paulo” para evitar que alguém “de baixo” tomasse uma atitude que pudesse prejudicar o grupo.
Segundo a interpretação apresentada no relatório da PF, os nomes seriam uma referência a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A mensagem, contudo, não esclarece por si só qual seria a natureza da suposta “proteção” mencionada pelo banqueiro.
Gonet pediu nulidade do relatório
A divulgação das mensagens ocorre paralelamente à contestação feita por Paulo Gonet ao relatório da Polícia Federal.
O procurador-geral pediu a nulidade do documento e argumentou que, caso houvesse indícios de irregularidades envolvendo integrantes do STF, o material deveria ser encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que o plenário avaliasse e autorizasse eventual investigação.
A abertura do procedimento pelo Conselho Superior do MPF deverá avaliar as circunstâncias e o conteúdo das mensagens que citam Gonet, em meio à crise institucional provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master.