Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmam, em conversas reservadas, que um eventual pedido de vista no julgamento marcado para terça-feira (15) poderá levar ministros a anteciparem seus votos sobre as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nos últimos dias, ganhou força a possibilidade de que a conclusão do julgamento seja adiada por um pedido de vista. A sessão começará com o voto do presidente do STF, Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso na noite de sábado (12).
Fachin será o primeiro a votar na análise que definirá se será aberta ou não uma investigação contra Moraes. Na sequência, votará o ministro Flávio Dino, integrante da ala de Moraes no tribunal e que, segundo o material, tem participado de uma ofensiva contra André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF.
Caso algum ministro peça vista e suspenda a conclusão do julgamento, outros integrantes da Corte poderão pedir a palavra para antecipar seus votos. Uma ala do tribunal avalia que poderá ser formada maioria favorável à abertura de uma investigação contra Moraes.
O cenário, porém, permanece incerto. O STF é composto por 11 ministros, mas atualmente está desfalcado desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado. Além disso, o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado em abril deste ano.
Ao todo, apenas oito ministros devem votar no julgamento de terça-feira. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes devem se declarar impedidos.
Toffoli teria como justificativa o fato de ter sido relator do caso Banco Master e posteriormente deixado a relatoria após ser citado no episódio. Já Moraes é diretamente alvo das suspeitas relacionadas a um suposto vínculo com Vorcaro.
Possíveis votos
A ala que prevê maioria pela abertura de investigação contra Moraes aposta nos votos de André Mendonça, Edson Fachin, Nunes Marques, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Segundo essas fontes, seriam contrários ao avanço da investigação os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Um ministro ouvido pela CNN Brasil afirmou que um eventual pedido de vista impediria a abertura imediata da investigação, mesmo que uma maioria fosse formada com a antecipação dos votos.
O pedido de vista suspenderia a análise do caso por 90 dias. Após a retomada do julgamento, outros ministros ainda poderiam solicitar vista, o que poderia prolongar a conclusão do processo por quase um ano.
Com informações de CNN Brasil
