Quase 84 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em julho, segundo dados da Serasa Experian. O número representa o maior patamar já registrado pela empresa e evidencia o avanço da dificuldade financeira das famílias no país.
O aumento das contas atrasadas ocorre em meio a uma série de indicadores negativos da economia brasileira. Além da inadimplência dos consumidores, o endividamento das famílias, a inadimplência das empresas, as recuperações judiciais e o déficit das estatais federais também atingiram níveis recordes ou os piores resultados de suas respectivas séries históricas.
O cenário se agrava com a taxa básica de juros, a Selic, em 14% ao ano.
Juros altos pressionam orçamento das famílias
A Selic elevada encarece empréstimos e financiamentos, aumenta o custo para renegociar dívidas e faz com que os bancos adotem critérios mais rígidos para conceder crédito.
Para as famílias, o resultado é a elevação das prestações e a redução da parcela da renda disponível para o consumo. Com menos dinheiro livre no orçamento, aumenta a dificuldade para manter as contas em dia.
Já para as empresas, os juros elevados encarecem o capital necessário para financiar estoques, ampliar operações e manter o fluxo de caixa.
Mais de 8 em cada 10 famílias estão endividadas
A proporção de famílias brasileiras com algum tipo de dívida chegou a 81,6% em maio, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). É o maior percentual registrado pela pesquisa.
O levantamento considera compromissos que ainda estão dentro do prazo de pagamento, como faturas de cartão de crédito, empréstimos e financiamentos de imóveis e veículos.
Por isso, é importante diferenciar endividamento de inadimplência.
Endividamento não significa necessariamente atraso
Uma pessoa pode estar endividada e continuar pagando suas obrigações normalmente. Nesse caso, a dívida ainda está dentro do prazo.
A inadimplência ocorre quando a conta vence e não é paga.
O problema aparece quando o volume de compromissos cresce a ponto de comprometer a renda disponível e aumenta o risco de atraso.
Com juros elevados, a renegociação dessas dívidas também fica mais cara, criando um ciclo de dificuldade financeira para consumidores e empresas.
O cenário de julho reforça a pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras e mostra os efeitos da combinação entre alto endividamento, crédito mais caro e aumento da inadimplência.