Passar muitas horas sentado durante uma viagem pode ser desconfortável e também aumentar o risco de trombose venosa profunda (TVP). A condição ocorre quando um coágulo se forma em uma veia e dificulta ou impede a circulação do sangue, afetando principalmente as pernas.
A chamada “trombose do viajante” está relacionada a longos períodos de imobilidade em viagens de avião, ônibus, carro ou trem. Segundo Breno Caiafa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Nacional (SBACV), permanecer na mesma posição por muitas horas reduz a atuação da musculatura da panturrilha, responsável por ajudar a impulsionar o sangue de volta ao coração.
Com a circulação mais lenta nas pernas, aumenta a possibilidade de formação de coágulos. Em viagens de avião, o risco pode ser influenciado pelas condições da cabine, que apresenta pressão e concentração de oxigênio diferentes das encontradas ao nível do mar.
Apesar disso, especialistas ressaltam que a possibilidade de uma pessoa saudável desenvolver trombose durante uma viagem é baixa. O cuidado deve ser maior entre pessoas que já tiveram trombose ou possuem histórico familiar, gestantes, usuários de anticoncepcionais, recém-operados, pessoas com mobilidade reduzida e idosos.
“A trombose geralmente ocorre por uma soma de fatores, não por um fator único”, afirma Caio Focássio, cirurgião e médico-assistente de cirurgia vascular da Santa Casa de São Paulo. Obesidade, tabagismo e sedentarismo também podem contribuir para o desenvolvimento da condição.
Como prevenir a trombose durante viagens
A principal recomendação dos especialistas é manter as pernas em movimento durante o trajeto. O ideal é caminhar por alguns minutos a cada uma ou duas horas. Em aviões, é possível andar pelo corredor. Já em viagens de carro, a orientação é fazer paradas periódicas.
Marcos Arêas Marques, médico angiologista do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (Unirio), destaca a importância de movimentar a panturrilha.
Mesmo sentado, é possível mexer os pés, tornozelos e panturrilhas. Movimentos circulares com os pés e contrações repetidas da panturrilha podem ajudar na circulação. Os especialistas também recomendam evitar permanecer dormindo por muitas horas seguidas em uma posição que limite os movimentos.
Escolher um assento no corredor pode facilitar a movimentação. Também é recomendado evitar colocar bagagens sob o assento da frente quando isso reduzir o espaço disponível para as pernas.
Hidratação e roupas confortáveis
A hidratação também é importante durante viagens. Segundo Marques, a cabine do avião é mais seca e o consumo de bebidas alcoólicas pode contribuir para a concentração do sangue. Por isso, a recomendação é manter-se hidratado, especialmente quando houver consumo de álcool, café ou chá.
Para as roupas, a orientação é priorizar peças confortáveis e evitar vestimentas apertadas.
As meias elásticas podem ajudar na prevenção da trombose, principalmente entre pessoas que apresentam fatores de risco. Para viagens prolongadas, são indicadas meias que chegam próximo ao joelho.
No caso das meias de compressão, porém, Breno Caiafa recomenda avaliação médica especializada para definir o tamanho e o modelo adequados. Uma meia inadequada pode ficar apertada, dobrar ou provocar compressão localizada.
Quais são os sintomas?
A dor em uma das pernas é um dos principais sintomas da trombose. Outros sinais incluem:
- Inchaço em uma das pernas;
- Dor ou sensibilidade na panturrilha ou na coxa;
- Aumento da temperatura no local;
- Alteração na coloração da pele.
Existe ainda o risco de o coágulo se desprender e chegar aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar, condição grave que pode levar à morte.
A trombose pode exigir tratamento clínico ou cirúrgico, dependendo do estágio do quadro. Diante de sintomas suspeitos, é importante buscar avaliação médica.
Com informações de Folha de S. Paulo
