Uma reportagem do jornal The New York Times, publicada nesta quinta-feira (24), colocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro da crise institucional provocada pelas revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o veículo norte-americano, o episódio abriu uma nova frente de tensão no Judiciário brasileiro e passou a repercutir diretamente no cenário eleitoral de 2026.
O NYT classificou as suspeitas envolvendo Moraes e Vorcaro como um “escândalo explosivo” e afirmou que as revelações “energizaram a direita brasileira” nas semanas que antecedem a eleição presidencial. O jornal também destacou que o caso passou a ser explorado politicamente na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A reportagem recupera informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro, investigado no caso Banco Master. Entre os elementos citados estão mensagens atribuídas ao banqueiro em contatos com Moraes, pedidos relacionados às investigações e um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O escritório afirma que os serviços foram efetivamente prestados e que não havia impedimento legal para a contratação.
O jornal também menciona que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes para evitar uma eventual prisão. Até o momento, porém, as informações divulgadas na investigação não demonstram que os pedidos feitos pelo banqueiro tenham sido atendidos pelo ministro. Moraes nega irregularidades e contesta parte das interpretações feitas a partir do material apreendido pela PF.
Ao abordar a trajetória de Moraes, o New York Times afirma que o ministro teve papel central na defesa da integridade das eleições de 2022 e na transição de poder após o pleito. Ao mesmo tempo, o jornal registra as críticas de setores da direita às decisões tomadas pelo magistrado, incluindo prisões e determinações relacionadas a manifestações nas redes sociais.
A reportagem também menciona o ministro André Mendonça, que passou a ser alvo de questionamentos relacionados ao caso Banco Master. O texto ainda cita novas revelações envolvendo Vorcaro e outros integrantes do Supremo, ampliando o debate sobre relações entre o banqueiro, autoridades e pessoas próximas à Corte.
Outro ponto destacado pelo jornal é o contraste com a investigação envolvendo o próprio Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo informações citadas na reportagem, Flávio teria atuado nas tratativas para obtenção de recursos de Vorcaro para a produção. O NYT avaliou que a crise envolvendo Moraes acabou ocupando espaço no debate público que também vinha sendo direcionado à investigação sobre o filme.
O jornal também relacionou a crise às preocupações sobre a capacidade do Supremo de responder a futuros conflitos envolvendo as instituições brasileiras, incluindo possíveis disputas sobre o processo eleitoral, desinformação produzida com inteligência artificial e eventual contestação de resultados.
Apesar da repercussão, as acusações e suspeitas mencionadas na reportagem continuam sendo objeto de investigação. Não há, até o momento, conclusão judicial definitiva estabelecendo que Alexandre de Moraes tenha cometido irregularidades em razão dos contatos com Vorcaro ou do contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de sua esposa.
