Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o governo e o Partido dos Trabalhadores deveriam atuar de forma discreta para evitar uma eventual saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
A avaliação ocorre em meio ao desgaste político e de imagem enfrentado pelo ministro após a divulgação de mensagens e outros registros relacionados à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Preocupação com composição do STF
De acordo com a publicação, a preocupação entre aliados de Lula está principalmente no impacto que uma eventual saída de Moraes poderia provocar na composição da Corte nos próximos anos.
Caso o ministro deixe o STF, o próximo presidente da República teria a possibilidade de indicar cinco dos 11 integrantes do tribunal, considerando as vagas que poderiam surgir ao longo do período.
Ainda segundo a Folha, um dos cenários que mais preocupa integrantes do grupo político de Lula seria uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições. Nesse caso, o senador poderia influenciar de maneira significativa a composição futura do Supremo por meio das indicações presidenciais.
Apoio sem exposição pública
Apesar da preocupação com a permanência de Moraes no STF, a estratégia defendida por aliados de Lula seria evitar manifestações públicas e ostensivas de apoio ao ministro.
A avaliação seria de que uma defesa aberta poderia aumentar o desgaste político do governo, especialmente diante da repercussão das mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro e da resistência de parte da opinião pública ao magistrado.
Assim, segundo a reportagem, o governo e o PT buscariam atuar nos bastidores para preservar a permanência de Moraes na Corte, sem transformar o tema em uma defesa pública do ministro.
