Uma fraude relacionada ao registro de entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos teria envolvido quatro funcionários do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) e três representantes brasileiros. A informação consta de documentos tornados públicos pelo juiz Gregory A. Presnell, responsável pelo caso na Justiça americana.
Segundo a documentação, o magistrado já tem acesso aos nomes dos envolvidos, mas decidiu mantê-los sob sigilo temporariamente para não comprometer investigações internas. As referências divulgadas fazem parte de um conjunto de e-mails e mensagens trocados entre servidores americanos e brasileiros.
Informações obtidas por fontes ligadas ao caso apontam que pelo menos dois dos três brasileiros seriam delegados da Polícia Federal. Um deles teria trabalhado no National Target Center (NTC), unidade ligada ao CBP, mantendo contato direto com agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE).
Os nomes ainda não foram oficialmente divulgados. Fontes relacionadas ao processo, entretanto, levantam suspeitas sobre a possível participação dos delegados Adriano Camargo e Marcelo Ivo. Este último teria sido banido dos Estados Unidos após uma investigação envolvendo o monitoramento de Alexandre Ramagem em território americano.
No Brasil, os relatos também citam os delegados Fábio Shor, que à época era responsável pelo inquérito que resultou na prisão de Filipe Martins, além de Marco Bontempo e Luiz Eduardo Navajas Telles Pereira. Eles são apontados, segundo essas informações, como integrantes da rede de servidores envolvida na tramitação de informações e ofícios internacionais que reproduziram o registro migratório.
Até o momento, porém, os nomes citados por fontes não foram formalmente confirmados como envolvidos na suposta fraude.
Juiz quer divulgar nomes
O juiz Gregory A. Presnell já indicou que pretende tornar públicos os nomes dos envolvidos nas próximas semanas.
Em uma ata de reunião da Justiça da Flórida divulgada nesta semana, o magistrado criticou a atuação da procuradora-assistente dos Estados Unidos, Joy Warner, ao tratar do registro utilizado no processo brasileiro.
Segundo o documento, Presnell afirmou que havia um registro falso inserido nos arquivos da Patrulha de Fronteira e que a informação teria prejudicado significativamente uma pessoa.
“Há um registro falso que foi inserido nos registros da Patrulha de Fronteira e que prejudicou consideravelmente uma pessoa. O governo reconhece a falsidade dessa informação e sua gravidade”, afirmou o juiz, conforme registrado na ata.
Presnell também ressaltou que a pessoa afetada teria o direito de saber como o registro foi produzido e quem teria sido responsável por sua inserção.
CBP reconheceu problema no registro
Em outubro de 2025, a própria CBP reconheceu que o registro utilizado no processo brasileiro havia surgido de uma falha em seu sistema.
O caso, entretanto, passou a ganhar novos contornos com a documentação analisada pela Justiça americana. Segundo as informações apresentadas no processo, há suspeitas de que a informação falsa possa ter sido inserida de maneira deliberada, e não simplesmente como resultado de um erro técnico.
A defesa de Filipe Martins pretende utilizar as conclusões da Justiça americana para pedir a revisão do caso no Brasil e a extinção da pena, caso seja oficialmente confirmada a fraude.
A investigação nos Estados Unidos ainda está em andamento, e os nomes dos possíveis envolvidos permanecem sob sigilo judicial.