O dentista Rafael Nicolau Arbex, que prestou depoimento à Justiça Federal durante a Operação Lava Jato como testemunha de Fernando Bittar, voltou a ser citado em uma investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger.
O nome de Arbex aparece no contrato de locação de uma casa em Brasília que teria sido utilizada por Lulinha e Roberta para realizar reuniões. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a imobiliária responsável pela intermediação confirmou que o dentista figurou como locatário do imóvel em 2024.
Em declaração ao veículo, a imobiliária TRK afirmou que apenas intermediou a locação e que Rafael Nicolau Fioruci Arbex foi o responsável indicado no contrato.
A empresa também informou que Roberta Luchsinger não apareceu como locatária em nenhum contrato intermediado pela imobiliária. De acordo com a TRK, após a primeira locação, eventuais negociações e novos contratos passaram a ser tratados diretamente entre o proprietário e os envolvidos, sem participação da empresa.
Relação com o sítio de Atibaia
Imagem gerada por IA
O nome de Arbex também aparece relacionado ao histórico do sítio de Atibaia, imóvel que esteve no centro de uma das ações da Lava Jato envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em depoimento prestado em 2018 à 13ª Vara Federal de Curitiba, Arbex afirmou que morava no sítio a convite de Fernando Bittar, antigo sócio de Lulinha e proprietário formal da propriedade.
Na ocasião, o dentista negou que Lula e familiares do então ex-presidente frequentassem o local. Ele, entretanto, afirmou conhecer Fábio Luís e Fernando Bittar havia cerca de 25 anos.
Bittar era o proprietário formal do sítio, adquirido em 2010 por aproximadamente R$ 1,5 milhão.
A propriedade passou por reformas que, segundo informações da investigação, envolveram empresas como Odebrecht, OAS e Schahin. As obras teriam sido realizadas para atender às necessidades de Lula e de sua família.
Uma perícia realizada pela Polícia Federal estimou que os trabalhos de reforma custaram cerca de R$ 1,2 milhão, considerando os valores da época.
Condenação de Lula foi anulada
Lula sempre negou ter relação com a propriedade. Em 2019, porém, o então ex-presidente foi condenado a 17 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em processo relacionado ao sítio de Atibaia.
A condenação acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
A citação de Arbex no contrato de locação do imóvel em Brasília estabelece, portanto, uma ligação documental entre o dentista que já havia sido ouvido pela Lava Jato sobre o sítio de Atibaia e uma propriedade posteriormente utilizada por Lulinha e Roberta Luchsinger, segundo as informações divulgadas pelos veículos.
