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Super El Niño pode ser o maior já registrado e acende alerta para efeitos devastadores no Brasil e no mundo

Por Junior Melo
26/ago/2026
Em Brasil
Imagem: (AI)

Imagem: (AI)

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Fenômeno ganha força no Pacífico, pode alcançar intensidade histórica e aumenta preocupação com secas severas, enchentes, ondas de calor, incêndios e prejuízos bilionários à agricultura

O planeta está entrando em uma fase de forte preocupação climática. O El Niño de 2026 está se intensificando rapidamente no Oceano Pacífico e as projeções mais recentes levantam a possibilidade de o mundo enfrentar um fenômeno de proporções históricas entre o fim deste ano e o início de 2027.

Dados divulgados em agosto pelo Centro de Previsão Climática da NOAA, dos Estados Unidos, indicam mais de 90% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027.

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O dado que mais chama atenção, porém, é outro: para o trimestre entre outubro e dezembro, os especialistas calculam em 69% a possibilidade de o fenômeno atingir um patamar histórico, ultrapassando a intensidade dos eventos anteriores registrados desde 1950. (cpc.ncep.noaa.gov)

Isso significa que o termo “maior El Niño da história”, que começa a circular para descrever o fenômeno, ainda deve ser tratado como uma possibilidade, e não como fato consumado. Mas o cenário projetado pelas autoridades meteorológicas internacionais já é suficientemente preocupante.

Pacífico apresenta aquecimento impressionante

O El Niño acontece quando as águas superficiais de partes do Pacífico Equatorial ficam anormalmente quentes e ocorrem alterações na circulação atmosférica.

Em julho, as anomalias de temperatura chegaram a +2,9°C na região Niño 1+2, enquanto foram registrados sinais expressivos de aquecimento também abaixo da superfície do oceano. Segundo a NOAA, algumas anomalias subsuperficiais chegaram a aproximadamente +10°C. (cpc.ncep.noaa.gov)

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também advertiu que um El Niño forte está se desenvolvendo e deverá continuar ganhando intensidade. As projeções dos principais centros meteorológicos apontam temperaturas acima da média em grande parte do planeta e mudanças importantes nos padrões de chuva. (wmo.int)

E é justamente essa capacidade de reorganizar a circulação atmosférica que faz o El Niño provocar consequências a milhares de quilômetros do Pacífico.

Brasil pode enfrentar dois extremos ao mesmo tempo

No Brasil, um dos aspectos mais preocupantes é que o mesmo fenômeno pode produzir situações completamente opostas dependendo da região.

Enquanto determinadas áreas podem enfrentar chuvas excessivas, enchentes e deslizamentos, outras poderão sofrer com seca, calor extremo, baixa umidade, incêndios e redução da disponibilidade de água.

O Cemaden já advertiu para um aumento do risco de chuvas extremas, enchentes e movimentos de massa no Sul. Norte e Nordeste, por outro lado, apresentam risco de agravamento das condições de seca e incêndios, enquanto a região central do país poderá enfrentar temperaturas mais elevadas e períodos de baixa umidade. (gov.br)

Sul: preocupação com enchentes e temporais

A Região Sul aparece entre as áreas que exigem maior atenção.

O Serviço Geológico do Brasil aponta perspectiva de chuvas acima da média em pontos da região. O problema é que precipitações frequentes sobre solos já saturados podem elevar rios rapidamente e aumentar o potencial de inundações.

O próprio SGB destaca que eventos intensos e inundações já vêm sendo observados e que o El Niño pode elevar ainda mais os níveis dos rios. (sgb.gov.br)

Em um cenário extremo, isso significa possibilidade de:

  • enchentes de grandes proporções;
  • deslizamentos de terra;
  • destruição de estradas e pontes;
  • perdas agrícolas;
  • interrupção de energia e abastecimento;
  • desalojamento de milhares de famílias.

A ocorrência desses desastres, entretanto, dependerá da localização e intensidade das chuvas. El Niño aumenta determinadas probabilidades, mas não permite prever antecipadamente que uma tragédia específica necessariamente ocorrerá.

Nordeste pode sofrer com menos chuva e calor

Se no Sul a preocupação é o excesso de água, em boa parte do Nordeste ocorre exatamente o contrário.

O Serviço Geológico do Brasil aponta que as chuvas abaixo da média associadas ao El Niño podem dificultar a recuperação dos reservatórios e favorecer condições mais secas durante o segundo semestre. (sgb.gov.br)

O cenário merece atenção especial no semiárido.

Boletim climático divulgado por instituições meteorológicas do Nordeste aponta tendência de temperaturas acima da média em todos os estados da região, além de maior probabilidade de chuvas abaixo da normalidade em áreas que incluem o sudeste do Rio Grande do Norte e partes da Paraíba, Pernambuco e Bahia, além de Alagoas e Sergipe. (gov.br)

Se o padrão persistir ou se intensificar nos próximos meses, algumas áreas poderão enfrentar maior pressão sobre:

reservatórios, agricultura familiar, criação de animais, pastagens e abastecimento de comunidades rurais.

Norte: seca pode favorecer incêndios

A situação também preocupa na Região Norte.

O Cemaden aponta que chuvas abaixo da média combinadas com temperaturas elevadas aumentam a evaporação e reduzem a umidade disponível no solo.

O resultado pode ser deficiência hídrica e maior vulnerabilidade de pastagens, culturas agrícolas e comunidades dependentes dos rios.

O SGB também acompanha a possibilidade de atraso no início da estação chuvosa e os possíveis reflexos sobre as grandes bacias hidrográficas da região. (gov.br)

Em períodos prolongados de calor e estiagem, outro problema ganha força: os incêndios florestais.

Vegetação mais seca oferece combustível para a propagação do fogo, enquanto a fumaça pode deteriorar a qualidade do ar em cidades localizadas a centenas ou até milhares de quilômetros das queimadas.

Centro do Brasil pode enfrentar ondas de calor

Outro possível efeito importante é a intensificação do calor no interior do país.

O Cemaden considera que a região central brasileira poderá experimentar ondas de calor mais frequentes e baixa umidade durante a atuação do fenômeno. (gov.br)

Isso pode significar temperaturas excepcionalmente elevadas em estados do Centro-Oeste e em áreas do Sudeste.

Além do desconforto, períodos prolongados de calor aumentam o consumo de energia elétrica, pressionam sistemas de saúde e ampliam a demanda por água.

Agricultura pode sentir impacto no bolso do consumidor

Um Super El Niño também pode deixar consequências econômicas.

Seca em uma região e excesso de chuva em outra podem prejudicar diferentes etapas da produção agrícola: plantio, desenvolvimento, colheita, armazenamento e transporte.

O Cemaden já aponta riscos de deficiência hídrica para pastagens e culturas em partes do Norte e Nordeste e alerta para possíveis problemas relacionados ao excesso de umidade no Sul. (gov.br)

Caso ocorram perdas significativas de produção, determinados alimentos podem ficar mais caros.

O impacto também pode chegar à pecuária. Menos água e menor disponibilidade de pastagens aumentam custos de produção, enquanto eventos extremos podem dificultar o transporte de animais, rações e alimentos.

El Niño encontra planeta excepcionalmente quente

Há ainda um componente que torna o atual episódio particularmente preocupante.

O El Niño está ocorrendo em um mundo que já apresenta temperaturas elevadas e oceanos excepcionalmente aquecidos.

A Organização Meteorológica Mundial afirma que a combinação do fortalecimento do El Niño com oceanos muito quentes aumenta a probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do planeta. (wmo.int)

Isso não significa que todo evento extremo que acontecer nos próximos meses será provocado pelo El Niño. O clima resulta da interação de diversos fatores naturais e das mudanças climáticas de longo prazo.

Entretanto, um El Niño excepcionalmente intenso funcionando sobre um sistema climático já aquecido representa uma combinação que preocupa cientistas e autoridades.

O pior cenário

Caso as projeções mais agressivas se confirmem, os próximos meses poderão trazer uma combinação especialmente perigosa:

enchentes e deslizamentos no Sul; seca e incêndios no Norte; redução das chuvas e pressão sobre reservatórios no Nordeste; ondas de calor e baixa umidade no centro do país; além de prejuízos agrícolas e impactos nos preços dos alimentos.

No exterior, o El Niño também altera padrões de chuva e temperatura, podendo contribuir para secas em algumas regiões e precipitações extremas em outras.

A Organização Meteorológica Mundial ressalta justamente que as previsões antecipadas devem servir para que governos e comunidades se preparem e reduzam perdas humanas e econômicas. (wmo.int)

Ainda não é possível decretar que será “o maior da história”

Apesar dos sinais impressionantes, existe uma diferença fundamental entre previsão e confirmação.

Hoje, os dados permitem afirmar que um El Niño muito forte está se desenvolvendo e que existe uma possibilidade significativa de atingir intensidade histórica.

A NOAA calcula em 69% a chance de o trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026 alcançar um patamar superior aos eventos anteriores de sua série histórica iniciada em 1950. (cpc.ncep.noaa.gov)

Portanto, ainda existem cenários em que o recorde não acontece.

Mas, se as projeções mais extremas se confirmarem, o mundo poderá estar diante de um dos episódios de El Niño mais intensos já observados pela meteorologia moderna.

E, para o Brasil, o perigo está justamente no paradoxo provocado pelo fenômeno: enquanto uma parte do país poderá lutar contra água demais, outra poderá enfrentar dramaticamente a falta dela.

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