A Polícia Federal identificou Joci Piccini, vice-prefeito de Lucas do Rio Verde (MT) e empresário do agronegócio, como responsável, segundo a investigação, pelo aporte inicial de recursos em uma operação que teria beneficiado o ex-governador Mauro Mendes e seu então chefe da Casa Civil, Fábio Garcia.
A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Heritage. A decisão determinou o bloqueio e o sequestro de bens de Piccini, de seu irmão e de empresas ligadas ao Grupo Piccini, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal.
Segundo a PF, o caso começou com a aquisição, por R$ 80 milhões, de direitos creditórios da Oi contra o estado de Mato Grosso. Posteriormente, o governo estadual fechou um acordo de R$ 308 milhões para encerrar a disputa judicial.
De acordo com a investigação, parte dos recursos teria circulado por fundos de investimento e posteriormente chegado a empresas relacionadas à Parecis Bioenergia, negócio que tinha participação da família de Mauro Mendes. Para Dino, a operação poderia ter criado uma aparência de transação empresarial regular para viabilizar a transferência de recursos públicos para patrimônio privado.
A decisão também aponta empresas do Grupo Piccini como responsáveis pelo aporte inicial dos recursos utilizados na aquisição dos créditos.
Quem é Joci Piccini
Piccini é vice-prefeito de Lucas do Rio Verde e presidente da Fundação Rio Verde e da Show Safra, uma das principais feiras do agronegócio brasileiro.
A família é proprietária de empresas como Amazônia Máquinas, Parecis Bioenergia, Dona Iracema Participações e Araguaia Agrícola. A RRP Energia, também ligada ao grupo, obteve neste ano uma linha de crédito de R$ 1 bilhão do BNDES para a implantação de uma usina de etanol de milho em Mato Grosso.
Mauro Mendes nega irregularidades. O ex-governador afirmou que o acordo envolvendo os créditos da Oi foi analisado e considerado legal por órgãos como o Tribunal de Contas, o Ministério Público de Contas e o Ministério Público Estadual.
