A pesquisa BTG/Nexus mostra uma mudança no índice de rejeição dos principais nomes cotados para a Presidência. Pela primeira vez desde abril, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nesse indicador.
Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de nenhuma maneira. Entre os que rejeitam Flávio Bolsonaro, o percentual é de 48%. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos.
Em relação à rodada anterior, os dois candidatos apresentaram movimentos opostos. A rejeição a Lula passou de 48% para 49%, enquanto a de Flávio recuou de 50% para 48%. Como as duas alterações estão dentro da margem de erro, não é possível afirmar uma mudança estatisticamente significativa.
Na série histórica, Lula começou o levantamento, em março, com 49% de rejeição. O menor índice registrado pelo presidente foi de 46%, em julho. Nas duas pesquisas anteriores, o percentual havia ficado em 48%.
Flávio Bolsonaro iniciou a série com 48% e atingiu o maior índice em junho, quando chegou a 52%. Nas duas rodadas seguintes, registrou 50%.
Lula mantém vantagem no potencial de voto
Apesar de apresentar rejeição ligeiramente superior à de Flávio, Lula aparece à frente quando o indicador analisado é o potencial de voto.
Metade dos entrevistados, ou 50%, afirma que votaria exclusivamente no presidente ou considera que poderia escolhê-lo entre as opções disponíveis. No caso de Flávio Bolsonaro, esse percentual é de 47%.
A diferença aumenta quando são considerados apenas os eleitores que apontam um único candidato como opção. Lula é o único nome em quem 39% afirmam que votariam, enquanto Flávio aparece com 27%.
Outros 11% dizem que poderiam votar em Lula, mas também considerariam outros candidatos. Entre os eleitores de Flávio, esse grupo representa 20%.
Rejeição a Lula varia conforme perfil do eleitor
Os números mostram diferenças importantes na rejeição ao presidente entre os grupos analisados.
Entre os homens, 57% afirmam que não votariam em Lula. Entre as mulheres, o percentual é de 42%.
Na divisão regional, o Sul apresenta o maior índice de rejeição ao petista, com 60%. Norte e Centro-Oeste aparecem com 59%, seguidos pelo Sudeste, com 50%. O Nordeste registra o menor percentual, de 36%.
A religião também apresenta diferenças. A rejeição a Lula chega a 60% entre os evangélicos. Entre católicos, o índice é de 47%; entre pessoas de outras religiões, 49%; e entre aqueles que afirmam não ter religião, 35%.
A renda também interfere nos resultados. Entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos, 56% dizem que não votariam em Lula. O percentual chega a 55% entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, enquanto fica em 45% na faixa de um a dois salários. Entre os que ganham até um salário mínimo, a rejeição é de 32%.
Flávio é mais rejeitado entre mulheres e no Nordeste
O perfil da rejeição a Flávio Bolsonaro apresenta características diferentes.
Entre as mulheres, 55% afirmam que não votariam no senador em nenhuma hipótese. Entre os homens, o percentual é de 41%.
O Nordeste concentra a maior rejeição ao candidato, com 58%. No Sudeste, o índice chega a 48%. Já no Sul e no conjunto formado por Norte e Centro-Oeste, a rejeição é de 40%.
Na divisão por religião, o maior percentual aparece entre os entrevistados que não possuem religião: 70% afirmam rejeitar Flávio Bolsonaro.
Entre pessoas de outras religiões, a rejeição é de 56%. O índice fica em 49% entre católicos e cai para 35% entre os evangélicos.
Os resultados mostram, portanto, que Lula e Flávio apresentam perfis distintos de rejeição conforme características demográficas, regionais, religiosas e econômicas do eleitorado.
