Dois nomes que marcaram a política brasileira nas últimas décadas não conseguiram retornar à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. José Dirceu (PT-SP) e Eduardo Cunha (Republicanos-MG) disputaram uma vaga no Legislativo, mas terminaram fora do Congresso.
José Dirceu recebeu 78.450 votos na disputa por uma cadeira de deputado federal em São Paulo. Foi a primeira vez desde 1999 que o ex-ministro da Casa Civil voltou a concorrer a um cargo eletivo. A federação formada por PT, PCdoB e PV conquistou 11 das 70 vagas destinadas a São Paulo, mas Dirceu não ficou entre os eleitos.
Ex-presidente nacional do PT e ministro da Casa Civil no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Dirceu foi um dos réus condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão. Posteriormente, também foi alvo de processos da Operação Lava Jato. As condenações relacionadas à Lava Jato foram anuladas pelo STF em 2024.
A tentativa de retorno ocorreu mais de duas décadas depois de sua última eleição para a Câmara. Dirceu havia deixado o Congresso após a cassação de seu mandato de deputado federal em 2005, em meio às investigações do Mensalão.
Eduardo Cunha
Em Minas Gerais, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos) recebeu 32.075 votos na tentativa de voltar ao Legislativo federal. Ele, porém, não foi eleito e teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral. O registro aparece no sistema do Tribunal Superior Eleitoral como “anulado sub judice”.
Cunha teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara em 2016, por quebra de decoro parlamentar. A decisão foi aprovada por 450 votos a 10.
Nas eleições deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais entendeu que Cunha permanecia inelegível até fevereiro de 2027. A defesa recorreu da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral.
Com os resultados de 2026, tanto Dirceu quanto Cunha ficam, portanto, sem mandato no Congresso Nacional a partir da próxima legislatura.
