Testes mostram diferenças importantes entre os azeites vendidos nos supermercados; Ministério da Agricultura já encontrou produtos misturados com outros óleos vegetais
O azeite de oliva está presente cada vez mais na mesa dos brasileiros, mas escolher uma garrafa apenas pelo preço ou pela expressão “extravirgem” estampada no rótulo pode não ser suficiente. Testes de qualidade e fiscalizações realizadas no Brasil mostram diferenças significativas entre os produtos disponíveis no mercado — e, nos casos mais graves, autoridades já identificaram produtos vendidos como azeite que continham outros óleos vegetais.
Um levantamento da PROTESTE, associação de defesa do consumidor, apresenta resultados de testes realizados com 48 azeites extravirgens. Entre os produtos avaliados, alguns alcançaram notas muito altas.
Segundo a relação disponível pela entidade, o Parus Azeite de Oliva Extra Virgem, de origem portuguesa, alcançou 97 pontos em 100, recebendo a classificação de “melhor do teste”.
Logo depois aparece o Santiago Premium Azeite de Oliva Extra Virgem, produzido no Chile, com 96 pontos.
Outro produto conhecido dos brasileiros também teve excelente desempenho: o Gallo Azeite de Oliva Extra Virgem alcançou 95 pontos na avaliação.
Já o O-Live Azeite de Oliva Extra Virgem recebeu 85 pontos e foi classificado pela PROTESTE como “escolha certa”, indicação que considera a relação entre qualidade e preço.
De acordo com os resultados divulgados pela associação, entre os destaques estão:
- Parus Extra Virgem — 97 pontos
- Santiago Premium Extra Virgem — 96 pontos
- Gallo Extra Virgem — 95 pontos
- O-Live Extra Virgem — 85 pontos
Os resultados completos podem ser consultados diretamente na página de testes da PROTESTE. (Proteste)
Mas existem azeites que são reprovados?
Sim — e aqui é importante diferenciar um azeite que simplesmente recebe uma avaliação inferior em um teste de qualidade de um produto que foi oficialmente desclassificado por fraude.
Nesse segundo caso, a situação é muito mais séria.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém operações de fiscalização e utiliza análises realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária para verificar a composição dos produtos comercializados como azeite.
Em diversos casos recentes, os exames encontraram outros óleos vegetais misturados ao produto, fazendo com que os azeites fossem desclassificados e considerados impróprios para consumo. (Serviços e Informações do Brasil)
Alerta recente envolveu azeite San Paolo
Um dos casos mais recentes ocorreu em maio de 2026.
O Ministério da Agricultura divulgou alerta envolvendo o azeite de oliva extravirgem San Paolo, lote 260289.
Segundo o Mapa, análises realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiás confirmaram a presença de mistura de outros óleos vegetais na composição.
O lote foi considerado desclassificado e impróprio para consumo humano, e seu recolhimento foi determinado.
A fiscalização também informou ter encontrado irregularidades relacionadas à empresa responsável pela importação e comercialização: endereço e CNPJ informados nos rótulos e documentos fiscais não puderam ser confirmados ou localizados. (Serviços e Informações do Brasil)
É importante observar que o alerta oficial identifica especificamente a marca e o lote 260289, razão pela qual não é correto ampliar automaticamente a conclusão laboratorial para produtos diferentes daqueles abrangidos pela fiscalização.
Ministério encontrou outros casos de fraude
O problema não se limita a uma fiscalização.
Em junho de 2025, o Ministério da Agricultura divulgou outro alerta envolvendo oito marcas de azeite de oliva desclassificadas por fraude.
As amostras foram submetidas a análises físico-químicas nos laboratórios oficiais do governo. Os exames detectaram outros óleos vegetais na composição dos produtos.
Segundo o Ministério, isso significa que os produtos não atendiam aos padrões de identidade e qualidade previstos para azeites de oliva.
Os produtos foram considerados impróprios para consumo e entraram em processo de recolhimento. (Serviços e Informações do Brasil)
Em novembro daquele mesmo ano, uma nova fiscalização voltou a identificar azeites com presença de óleos vegetais de outras espécies. O Mapa determinou o recolhimento dos produtos envolvidos e orientou os consumidores a interromper o consumo. (Serviços e Informações do Brasil)
Anvisa também já determinou recolhimentos
Não é somente o Ministério da Agricultura que tem emitido alertas.
Em maio de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição e o recolhimento de todos os lotes de produtos identificados como La Ventosa, quando constasse determinada empresa embaladora especificada pela agência, e do azeite grego Santorini, também vinculado à empresa indicada na resolução.
A recomendação da Anvisa foi de que os consumidores não utilizassem esses produtos. (Serviços e Informações do Brasil)
Outros produtos também foram posteriormente objeto de medidas sanitárias da agência. (Serviços e Informações do Brasil)
Como saber se o azeite que está em casa é confiável?
O consumidor precisa tomar alguns cuidados.
O primeiro deles é desconfiar de preços muito abaixo dos encontrados normalmente no mercado. A fraude pode tornar possível vender um produto apresentado como azeite de oliva por valores incompatíveis com o custo normal do verdadeiro azeite.
Também é importante verificar cuidadosamente o rótulo, principalmente fabricante, importador, país de origem, lote e validade.
Essas informações são fundamentais porque uma irregularidade pode atingir determinado lote ou empresa responsável pelo produto, sem necessariamente permitir uma conclusão sobre todos os produtos que tenham nomes semelhantes.
O próprio Ministério da Agricultura alerta que produtos fraudulentos podem utilizar nomes semelhantes aos de marcas conhecidas. (Serviços e Informações do Brasil)
“Extravirgem” escrito na embalagem não basta
Outro ponto importante é entender que o termo extravirgem corresponde a uma categoria técnica.
Não basta simplesmente colocar a expressão no rótulo.
O produto precisa atender aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos pela regulamentação. É justamente por meio das análises laboratoriais que as autoridades conseguem identificar produtos que não correspondem à categoria declarada.
Nos casos de fraude encontrados pelo Mapa, por exemplo, foram detectados outros óleos vegetais onde deveria estar o azeite correspondente às características declaradas na embalagem. (Serviços e Informações do Brasil)
Azeite mais caro é necessariamente melhor?
Não.
Preço elevado, embalagem sofisticada ou origem estrangeira não garantem, isoladamente, que determinado produto seja superior.
Da mesma forma, um azeite relativamente barato não é necessariamente ruim.
Os resultados da PROTESTE ajudam a demonstrar isso. A entidade inclusive separa o produto considerado “melhor do teste” daquele classificado como “escolha certa”, que leva em consideração uma boa relação entre qualidade e preço. (Proteste)
Então, quais azeites aparecem entre os melhores?
Considerando especificamente o teste divulgado pela PROTESTE, Parus, Santiago Premium, Gallo e O-Live aparecem entre os produtos com avaliações de destaque.
Isso não significa que sejam os únicos bons azeites disponíveis no Brasil nem representa uma garantia permanente sobre qualquer garrafa comprada futuramente. O resultado corresponde aos produtos efetivamente submetidos ao teste.
Da mesma maneira, quando o Ministério da Agricultura identifica uma fraude, é necessário observar exatamente qual marca, empresa e/ou lote foi relacionado no alerta oficial.
Essa distinção evita duas conclusões equivocadas: acreditar que todo azeite barato é fraudado ou que uma marca conhecida é automaticamente garantia de qualidade.
O que fazer se você tiver um azeite que aparece em alerta oficial?
A recomendação do Ministério da Agricultura para produtos oficialmente desclassificados é interromper o consumo e procurar o estabelecimento onde a compra foi realizada para solicitar a substituição do produto, conforme as regras de proteção ao consumidor.
O Mapa também mantém uma página oficial de comunicação de risco e recolhimentos de produtos de origem vegetal, onde publica relações de lotes de azeites considerados impróprios.
Portanto, antes de jogar fora uma garrafa simplesmente porque viu o nome da marca circulando nas redes sociais, o mais seguro é conferir marca, lote, empresa responsável e o alerta oficial correspondente.
Em um produto tão sujeito a fraudes quanto o azeite, informação confiável pode ser tão importante quanto saber escolher a melhor garrafa.
Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.