A Polícia Federal (PF) afirma ter identificado, a partir de mensagens encontradas no WhatsApp do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, a pessoa que teria fornecido informações utilizadas em uma reportagem sobre o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A informação consta em um relatório elaborado pela PF e mencionado em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou mandados de busca e apreensão contra a suposta fonte do jornalista e outra pessoa investigada no caso. As medidas foram cumpridas na terça-feira (11/8).
De acordo com o relatório, os investigadores conseguiram acessar a conta do WhatsApp Web utilizada pelo jornalista por meio de um notebook. O computador e os celulares de Luís Pablo haviam sido apreendidos meses antes, por determinação de Moraes.
A PF identificou como fonte Raimundo Soares Cutrim, que havia ocupado o cargo de secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos do Governo do Maranhão. Ele foi exonerado da função em 20 de julho, após passar a cumprir prisão domiciliar por determinação do Supremo.
“Em relação ao notebook, foi possível acessar a conta de WhatsApp de Luis Pablo, tendo sido identificadas conversas com o contato registrado como secretário Raimundo Cutrim, telefone (……), o qual remete a Raimundo Soares Cutrim (CPF 04214064372), atualmente ocupante do cargo de secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos da Secretaria de Estado de Articulação Política do Governo do Maranhão”, diz o documento da PF, ao qual a coluna teve acesso.
A partir da análise das mensagens, os investigadores concluíram que Cutrim teria encaminhado ao jornalista informações e imagens utilizadas em uma reportagem publicada em novembro de 2025. O conteúdo tratava do uso de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares do ministro.
A apuração também encontrou conversas entre Luís Pablo e o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, que também foi alvo das buscas realizadas na terça-feira.
Segundo a PF, as mensagens indicariam que Diogo orientava o jornalista sobre conteúdos que deveriam ser publicados contra Dino. A corporação afirma ainda que o advogado teria solicitado a Luís Pablo que apagasse mensagens relacionadas a uma reportagem sobre o ministro.
Transferência de R$ 100 mil
A análise do material apreendido levou os investigadores a identificar ainda uma transferência bancária de R$ 100 mil feita por Diogo Diniz Lima em benefício de Luís Pablo. O valor, porém, teria sido encaminhado para a conta de um terceiro, Danilo Cutrim Bezerra.
Conforme o relatório da PF, a quantia faria parte do pagamento pela compra de um imóvel rural pertencente a Danilo Cutrim e adquirido pelo jornalista. Segundo os investigadores, a propriedade teria sido negociada por R$ 461 mil, pagos por “pagadores diversos”.
A Polícia Federal afirma que, inicialmente, as mensagens poderiam ser interpretadas como uma relação convencional entre jornalista e fonte. A identificação da transferência de R$ 100 mil, entretanto, fez com que os investigadores aprofundassem a análise para tentar determinar a finalidade do pagamento.
“Tais mensagens, que podem ser vistas nas fls. 19/22 da IPJ N° 1884784/2026, poderiam, a principio, ser interpretadas como mera troca de informações entre o jornalista e sua fonte. Ocorre que, mais adiante, as trocas de mensagens evoluem para um pagamento de R$ 100.000,00 para Luis Pablo, que envolveram o contato registrado como Danilo Veterinário, o qual se refere à pessoa de Danilo Cutrim Bezerra. Para ficar mais claro, Diogo Lima efetua uma transferência bancária a favor de Luis Pablo, no valor de R$ 100.000,00, utilizando para tanto a conta de Danilo Cutrim Bezerra como recebedor”, escreveu a corporação.
Na decisão, Moraes reproduziu a avaliação apresentada pela Polícia Federal sobre a transferência. Para os investigadores, o pagamento levantaria questionamentos sobre a relação entre Diogo Diniz Lima e Luís Pablo.
A PF sustenta que as conversas indicariam que Diogo teria orientado a produção de reportagens com críticas a Flávio Dino e, paralelamente, realizado uma transferência financeira em benefício do jornalista.
