O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que esclareça rapidamente o empréstimo que afirma ter recebido da empresária Roberta Luchsinger. Segundo interlocutores, Lula afirmou confiar no antigo assessor, mas considera necessário esclarecer o caso para evitar impactos na campanha pela reeleição.
A movimentação ocorre após a Polícia Federal passar a investigar uma transferência financeira feita por Roberta a Marcola. A empresária, que mantém relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, também é investigada por suspeita de participação em um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lulinha, por sua vez, é alvo de três inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência. Duas investigações tramitam sob relatoria do ministro André Mendonça, enquanto a terceira foi autorizada pelo ministro Flávio Dino. As apurações também incluem a atuação de Roberta Luchsinger.
Marcola deixou a chefia de gabinete da Presidência no último dia 21 para integrar a coordenação da campanha de Lula. De acordo com a reportagem, o presidente já tinha conhecimento de que o nome do então assessor seria citado nas investigações.
Cientista político, Marco Aurélio Santana Ribeiro ocupava o cargo no Palácio do Planalto desde janeiro de 2023. Na campanha eleitoral, passou a atuar ao lado de Gilberto Carvalho, auxiliando na organização da agenda do presidente, função que ambos também exerceram durante a disputa eleitoral de 2022.
Campanha cobra esclarecimentos
Integrantes da coordenação da campanha avaliam que Marcola precisa apresentar explicações antes que as suspeitas ganhem maior repercussão política.
O ex-assessor contratou o advogado Georges Abboud para representá-lo. Em nota, ele confirmou ter recebido um empréstimo de Roberta Luchsinger, afirmou que a dívida foi integralmente quitada e negou qualquer irregularidade.
“Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, declarou.
O valor do empréstimo, entretanto, não foi divulgado.
Já a defesa de Lulinha sustenta que houve vazamentos seletivos de informações por parte de integrantes da Polícia Federal com o objetivo de prejudicar a campanha do presidente. Na segunda-feira, o advogado Marco Aurélio de Carvalho reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para solicitar a apuração dos supostos vazamentos após a quebra de sigilo envolvendo o filho do presidente.
Até o momento, as investigações seguem em andamento. Os envolvidos negam irregularidades e não há condenações relacionadas aos fatos apurados.
