A Justiça de São Paulo revogou o uso da tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar noturno impostos a Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”, investigada por suposta lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão foi proferida pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.
Novas medidas cautelares
Apesar da retirada da tornozeleira, Karen continuará submetida a outras medidas determinadas pela Justiça.
Entre elas estão:
- Proibição de deixar o estado sem autorização judicial;
- Entrega do passaporte no prazo de cinco dias;
- Comparecimento mensal em juízo para informar suas atividades.
Segundo a decisão, o monitoramento eletrônico será retirado somente após a entrega do passaporte.
A defesa afirmou que o documento não está com a investigada, pois teria sido apreendido durante uma operação policial.
Investigação continua
Na mesma decisão, a magistrada determinou que a Polícia Civil apresente, em até 30 dias, uma atualização das investigações, especialmente sobre a perícia realizada no celular apreendido com Karen.
A defesa voltou a negar qualquer irregularidade e afirmou que pretende comprovar a origem lícita dos recursos investigados caso o Ministério Público apresente denúncia formal.
Suspeita de movimentar mais de R$ 35 milhões
Karen cumpre prisão domiciliar desde 2024 pelos crimes investigados de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Durante a operação que resultou em sua prisão, policiais apreenderam mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo, além de um veículo de luxo e mais de US$ 50 mil em espécie.
Segundo a investigação, após a morte de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado como um dos principais integrantes do PCC, Karen teria aberto empresas e movimentado mais de R$ 35 milhões, valor considerado incompatível com seu patrimônio anterior.
A Polícia Civil suspeita que recursos provenientes do tráfico de drogas tenham sido investidos em empresas do setor de beleza, empreendimentos imobiliários e negócios de fachada para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Sócios da WePink também são investigados
O inquérito também apura a relação comercial entre Karen e os empresários Samara Martins, conhecida como Samara Pink, e Thiago Stabile, sócios da influenciadora Virginia Fonseca na empresa de cosméticos WePink.
Segundo a investigação, Karen e Samara integraram, entre 2017 e 2022, uma sociedade ligada à expansão da rede Pink Lash, que agora é alvo das apurações sobre suposta lavagem de dinheiro.
