A indústria brasileira de pneus atravessa, segundo o presidente da Bridgestone no Brasil, Lafaiete Oliveira, a maior crise de sua história. O principal fator apontado pelo executivo é o avanço das importações asiáticas, especialmente no segmento de pneus para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.
Entre 2021 e 2025, a participação dos pneus importados no mercado nacional de carga passou de cerca de 30% para 70%, invertendo a relação que predominava anteriormente. Para Oliveira, o cenário ameaça a capacidade produtiva nacional e pode aumentar a dependência brasileira de produtos estratégicos.
A Bridgestone já sente os efeitos da retração. A empresa mantém quatro fábricas no país e investiu cerca de R$ 2 bilhões nos últimos cinco anos na modernização e reorganização de suas unidades, mas atualmente opera com capacidade ociosa.
Uma das medidas adotadas foi ampliar as exportações para os Estados Unidos. A estratégia ajudou a compensar parte das perdas no mercado brasileiro, mas também passou a enfrentar incertezas após a adoção de novas tarifas comerciais pelo governo norte-americano.
Segundo Oliveira, existe o risco de redução das encomendas da matriz americana, embora isso ainda não tenha ocorrido. Caso o mercado interno continue perdendo espaço para produtos importados, a empresa também não descarta impactos sobre os empregos.
Fábrica agrícola foi fechada
A crise já provocou mudanças na estrutura da companhia. A unidade de pneus agrícolas da Bridgestone está fechada desde o início de 2025. Cerca de 200 funcionários trabalhavam na fábrica. Parte foi transferida para outras áreas, enquanto os demais foram desligados.
No mercado de reposição de pneus para caminhões e ônibus, a empresa afirma ter perdido aproximadamente 55% de sua participação para produtos importados.
A indústria nacional também cobra medidas do governo para conter a concorrência externa. O setor defende a elevação do imposto de importação e a adoção de medidas antidumping contra pneus produzidos em países asiáticos.
Oliveira afirma que a entrada de produtos estrangeiros não é necessariamente um problema, desde que ocorra em condições consideradas equilibradas de concorrência.
Além da perda de mercado, a indústria aponta preocupação ambiental. Segundo dados citados pelo executivo, cerca de 500 mil toneladas de pneus importados não teriam recebido destinação adequada nos últimos 11 anos, com base em informações do Ibama.
Para o presidente da Bridgestone, a continuidade da perda de participação da indústria nacional pode comprometer a produção brasileira e aumentar a dependência externa de um produto considerado estratégico para a economia.