O presidente Lula deve ter ficado decepcionado com as imagens da convenção de Cadu Xavier ao Governo do Rio Grande do Norte. Realizado nesta quinta-feira (20), na Arena das Dunas, em Natal, o evento era para ser a grande demonstração de força do “time de Lula” no estado, mas o que se viu foi um público concentrado apenas nas proximidades do palco, com as laterais visivelmente vazias.
O cenário não surpreende quem acompanha as pesquisas. Levantamentos recentes, como o da BG/Perfil, apontaram 56,18% de reprovação ao governo Fátima Bezerra, número que em alguns institutos já chegou à casa dos 70% ao longo do ano. É esse desgaste que Cadu Xavier tenta carregar como candidato ao Centro Administrativo do Estado, e a convenção esvaziada só reforçou a dificuldade de mobilizar o eleitorado em torno do nome escolhido pela governadora.
Some-se a isso o fato de que Cadu está sob investigação do Tribunal de Contas por conceder, quando ainda era secretário da Fazenda, um reajuste de 12% a auditores fiscais durante a pandemia, aumento que teria provocado impacto superior a R$ 13 milhões nos cofres públicos. O processo segue em análise, mas o episódio já expõe uma contradição: enquanto o Estado atrasa salários de terceirizados e enfrenta dificuldades financeiras, o candidato governista aparece envolvido em decisão que beneficiou uma categoria específica com dinheiro público. Se a convenção era para mostrar força, o resultado foi mais uma evidência de que o eleitorado potiguar está cansado do governo Fátima, e Cadu já começa a pagar essa conta nas urnas.