O enviado especial e conselheiro sênior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jared Kushner, esteve em Israel nesta segunda-feira (17) para conversar com autoridades sobre o plano de paz para a Faixa de Gaza e as negociações envolvendo o Hamas. Kushner, que também é genro de Trump, se reuniu com o chanceler de Israel, Isaac Herzog.
Após o encontro, Herzog afirmou que a segurança de Israel ocupa uma posição central na proposta apresentada. Segundo ele, as próximas etapas do plano precisam garantir a proteção do país e de seus cidadãos, além de contribuir para a estabilidade e para melhores condições de vida na região.
O chanceler israelense também teve uma reunião com Nikolai Mladenov, diretor executivo do Quarteto para o Oriente Médio.
De acordo com agências internacionais, Kushner também teria se encontrado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Até o momento, porém, esse encontro não foi confirmado oficialmente.
Netanyahu anuncia grupos de trabalho
Em comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Netanyahu informou ter se reunido com integrantes do Conselho de Paz, iniciativa criada por Trump com o objetivo de promover negociações e ações voltadas à paz no Oriente Médio.
Segundo o comunicado, foram definidos dois grupos de trabalho.
O primeiro ficará responsável por discutir o desarmamento e a desmilitarização da Faixa de Gaza. Israel e o Conselho de Paz defendem que esse processo seja realizado rapidamente e concluído antes do início de qualquer projeto de reconstrução no território.
O segundo grupo terá como foco questões relacionadas ao saneamento, ao fornecimento de água potável e à saúde pública da população de Gaza, temas que também possuem impacto sobre a população israelense.
Kushner se reuniu com representante do Hamas
A passagem de Kushner por Israel ocorreu um dia depois de ele se reunir com um representante do Hamas no Egito, país que atua como mediador nas negociações relacionadas ao conflito.
O encontro de domingo (16) teria sido mais uma tentativa de avançar em direção a um acordo de paz para Gaza.
As articulações buscam recuperar uma proposta apoiada pelo governo americano que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses do território palestino.
No fim de julho, o Hamas teria aceitado uma proposta de desarmamento apresentada por Trump para tentar encerrar o conflito. Além da retirada gradual das armas pelo grupo, o plano prevê a saída das tropas israelenses e a transferência da administração de Gaza para uma autoridade palestina formada por tecnocratas, sob supervisão internacional.
Netanyahu, porém, demonstrou oposição à proposta, em um movimento considerado incomum diante da proximidade entre o governo israelense e a administração Trump.
Agora, Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e Nikolai Mladenov participam das articulações para tentar diminuir as divergências e construir um entendimento entre as partes.
Conflito em Gaza
A atual guerra entre Israel e Hamas começou após o ataque realizado pelo grupo em território israelense em 7 de outubro de 2023, que deixou centenas de mortos.
O Hamas controla a Faixa de Gaza, território palestino localizado entre Israel e o Egito. Desde o início do conflito, a região passou por intensos confrontos e graves impactos humanitários.
No último ano, Estados Unidos e outros mediadores ajudaram Israel e Hamas a chegar a um acordo de cessar-fogo. A trégua, porém, não eliminou as tensões nem encerrou definitivamente as hostilidades.
As negociações atuais buscam estabelecer um acordo permanente que possa colocar fim ao conflito e definir as condições para a segurança, a desmilitarização e a reconstrução de Gaza.
