A disputa judicial entre o empresário Chiquinho Scarpa e uma clínica de anestesiologia ganhou um novo capítulo. A instituição apresentou à Justiça um pedido para que o patrimônio de três empresas controladas pelo empresário possa ser utilizado para quitar uma dívida que, atualizada, já chega a aproximadamente R$ 320 mil.
Scarpa foi condenado em 2025 a pagar cerca de R$ 215 mil à Clínica de Anestesiologia e Dor de São Paulo. O valor é referente a sete meses de hospitalização e 10 cirurgias realizadas pelo empresário. A cobrança judicial havia sido iniciada em 2023.
Desde então, a clínica tenta receber o dinheiro. A Justiça chegou a determinar o bloqueio de valores nas contas bancárias de Scarpa, mas foram encontrados apenas R$ 33,98.
Além disso, foi determinada a penhora de 20% dos valores que o empresário teria a receber de empresas das quais participa.
Clínica pede inclusão de empresas na cobrança
Diante da dificuldade para localizar bens em nome de Scarpa, a clínica apresentou, em 8 de julho, um Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica dentro do processo.
O mecanismo é utilizado para tentar atingir o patrimônio de uma empresa quando há alegações de que ela estaria sendo utilizada para impedir ou dificultar o pagamento de uma obrigação.
No pedido, a clínica solicita que três empresas controladas por Chiquinho Scarpa também possam responder pela dívida.
A instituição afirma haver indícios de confusão patrimonial entre o empresário e as sociedades. Como uma das evidências, apresentou o fato de uma mansão atribuída a Scarpa estar registrada em nome de uma das empresas.
Mansão é avaliada em R$ 120 milhões
O imóvel citado no processo é uma mansão localizada no Jardim América, bairro nobre de São Paulo. Segundo a clínica, a propriedade é avaliada em aproximadamente R$ 120 milhões.
A instituição argumenta que a utilização de empresas para manter bens de alto valor poderia configurar uma forma de proteção patrimonial que dificulta a localização de ativos passíveis de penhora.
No pedido apresentado à Justiça, a clínica também sustenta que o padrão de vida ostentado pelo empresário seria incompatível com a dificuldade encontrada para localizar bens em seu nome capazes de quitar a dívida.
Decisão pode atingir patrimônio das empresas
Caso a Justiça acolha o pedido e reconheça a existência de confusão patrimonial, os bens das três empresas poderão ser utilizados para responder pela dívida atribuída a Chiquinho Scarpa.
Por enquanto, o pedido ainda precisa ser analisado pela Justiça. A eventual inclusão das empresas no processo não significa, portanto, que seus patrimônios já estejam penhorados ou que a clínica tenha obtido autorização definitiva para utilizar esses bens no pagamento da dívida.
