O Irã propôs aos Estados Unidos um plano de sete dias para interromper as hostilidades, reabrir o Estreito de Hormuz e, posteriormente, retomar negociações sobre o programa nuclear iraniano. A proposta foi apresentada por meio de mediadores, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Segundo informações publicadas pelo Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (25), durante entrevista na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta quinta-feira (24), Araghchi afirmou que o plano segue de perto os compromissos previstos em um memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho, que acabou fracassando.
Segundo o ministro, Teerã está preparado para começar a implementar a proposta assim que Washington aceitar os termos.
“Apresentamos aos Estados Unidos, por meio dos mediadores, um plano segundo o qual, se certas condições forem atendidas, o estreito de Hormuz seria aberto ao fim do sétimo dia e as negociações seriam retomadas”, afirmou Araghchi.
Condições apresentadas pelo Irã
De acordo com o chanceler iraniano, durante os sete dias do plano seriam interrompidas todas as hostilidades, inclusive no Líbano. Os Estados Unidos também liberariam ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões (R$ 62,2 bilhões), suspenderiam as sanções sobre o petróleo do Irã e encerrariam o bloqueio naval ao país.
Ao final do sétimo dia, o Estreito de Hormuz seria reaberto. Em seguida, começariam imediatamente negociações abrangentes sobre o programa nuclear iraniano.
Araghchi afirmou ainda que seria melhor alcançar um acordo antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
Uma autoridade americana familiarizada com as negociações disse que o governo dos EUA vinha mantendo conversas “positivas e construtivas” por meio de mediadores, mas que Washington não teria pressa para concluir um acordo.
Diplomacia entre EUA e Irã
A proposta foi apresentada enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fizeram discursos de tom hostil na Assembleia Geral da ONU.
Trump afirmou que o Irã poderia enfrentar “aniquilação” caso não chegasse a um acordo. Pezeshkian, por sua vez, declarou que o país não se deixaria intimidar.
Autoridades iranianas disseram que a nova proposta mantém, na prática, as mesmas condições do memorando firmado em junho, mas prevê um cronograma mais rápido. O acordo anterior estabelecia um prazo de 60 dias para o avanço das negociações nucleares.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que uma reunião de três horas entre autoridades americanas e iranianas, mediada pelo Catar, terminou sem avanços decisivos.
Araghchi se reuniu na terça-feira (22) com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. O encontro foi mediado por representantes catarianos, que transmitiam mensagens entre as duas partes.
O ministro iraniano classificou a reunião como “produtiva” e afirmou que a troca de mensagens continuava. Ismaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, disse que novas reuniões mediadas poderiam ocorrer nos dias seguintes.
Pressão sobre a economia iraniana
A economia do Irã enfrenta forte pressão, com aumento da inflação dos alimentos básicos, escassez de medicamentos e dificuldades no comércio.
Analistas avaliam que Trump teria de considerar os possíveis benefícios de um acordo antes das eleições de meio de mandato, em contraste com a alternativa de manter a pressão econômica sobre o Irã na tentativa de obter novas concessões de Teerã.
A proposta iraniana ocorre enquanto negociadores americanos buscam reativar a diplomacia com Teerã em torno do programa nuclear, por meio de conversas paralelas à Assembleia Geral da ONU.
