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Início Brasil

Campanha de Lindbergh vira alvo de investigação por suposto caixa dois de R$ 3 milhões

Por Junior Melo
25/ago/2026
Em Brasil, Eleições, Política
Lindbergh Farias
Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Lindbergh Farias Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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O Ministério Público Eleitoral (MPE) apura uma suspeita de caixa dois envolvendo a campanha de Lindbergh Farias (PT) ao governo do Rio de Janeiro, em 2014. A investigação busca esclarecer se o então candidato recebeu cerca de R$ 3 milhões que não teriam sido informados à Justiça Eleitoral.

O procedimento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira (13/8). A apuração considera, além da possível existência de recursos não contabilizados, a eventual ocorrência de outros crimes relacionados ao suposto repasse.

A defesa de Lindbergh nega qualquer irregularidade. Os advogados argumentam que uma análise realizada pela Polícia Federal (PF), que examinou aproximadamente 2,8 mil páginas da prestação de contas da campanha, não identificou indícios de falsidade ideológica eleitoral ou de utilização de dinheiro de origem ilícita nos documentos avaliados.

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“Só esse laudo seria razão de arquivamento”, afirmaram os advogados.

A conclusão da PF integra os documentos do inquérito.

Investigação envolve empresário

A suspeita surgiu a partir de informações segundo as quais o empresário Miguel Iskin teria destinado os R$ 3 milhões à campanha de Lindbergh com a expectativa de obter benefícios posteriormente, caso o petista fosse eleito governador.

Com o avanço da apuração, o MPE passou a analisar também a possibilidade de ocorrência de crimes de corrupção ativa e passiva, além da suposta irregularidade na prestação de contas eleitorais.

De acordo com documentos do Ministério Público, o valor teria sido utilizado para financiar despesas da campanha sem ser informado oficialmente à Justiça Eleitoral.

A origem da informação está no Anexo 15 do acordo de colaboração premiada firmado por Marco Antônio Guimarães Duarte de Almeida.

Em seu relato, o colaborador afirmou que os recursos teriam sido destinados à campanha com a finalidade de assegurar “condições privilegiadas” à empresa Oscar Iskin e a parceiros em possíveis contratos com o governo estadual, caso Lindbergh vencesse a eleição.

O colaborador disse ainda que nunca teve contato diretamente com Lindbergh. Segundo sua versão, a articulação dos supostos pagamentos teria sido feita por Miguel Iskin e Gustavo Estellita, utilizando a empresa Oscar Iskin.

Ainda conforme o depoimento, o dinheiro teria sido entregue em espécie a uma pessoa ligada à campanha e conhecida pelo apelido de “Totó”.

Empresário contesta versão apresentada

Miguel Iskin negou as acusações em depoimento prestado à Polícia Federal.

O empresário classificou as declarações do colaborador como “falsas, lacunosas e imprecisas” e afirmou que não foram apresentadas provas capazes de confirmar as acusações.

Apesar de a análise da documentação da campanha não ter encontrado, inicialmente, indícios de falsidade ideológica eleitoral ou de origem ilícita dos recursos examinados, a Polícia Federal determinou a realização de novas diligências.

Entre as providências previstas está o depoimento de Lindbergh Farias. A investigação também deverá consultar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para verificar eventuais movimentações consideradas suspeitas envolvendo o parlamentar entre 2014 e 2018.

O MPE também se manifestou favoravelmente à quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lindbergh. A medida pretende aprofundar a apuração e verificar, entre outros pontos, se os valores supostamente não declarados na campanha tiveram algum reflexo no patrimônio do parlamentar.

Caso chegou ao Supremo

O inquérito foi encaminhado ao STF depois que a Justiça Eleitoral considerou que os fatos investigados teriam ocorrido quando Lindbergh ainda exercia o mandato de senador e poderiam estar relacionados às funções desempenhadas por ele.

A decisão levou em consideração o entendimento adotado pelo Supremo de que o foro por prerrogativa de função pode continuar sendo aplicado mesmo depois do encerramento do mandato, desde que os fatos investigados tenham relação com o exercício do cargo.

A defesa do deputado, porém, questiona a forma como o procedimento vem sendo conduzido.

Os advogados afirmam que Lindbergh ainda não teria sido citado ou intimado no inquérito e criticaram a falta de transparência que, segundo eles, marcou a tramitação do caso.

“Uma tramitação quase secreta e que renasce e se movimenta em período eleitoral”, afirmou a defesa.

Os representantes do parlamentar também questionam o período entre a decisão de enviar o processo ao STF e a chegada efetiva dos autos à Corte.

Segundo a defesa, a determinação para encaminhar o inquérito ao Supremo foi tomada em setembro de 2025. Os documentos, entretanto, só teriam sido enviados ao STF em 13 de agosto de 2026, durante o período eleitoral.

A investigação continua em andamento. Até o momento, não há decisão definitiva que confirme a existência de caixa dois ou atribua responsabilidade criminal a Lindbergh Farias.

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