O Banco do Nordeste (BNB) encerrou o primeiro semestre de 2026 com redução de 23,6% no lucro líquido em comparação com os seis primeiros meses de 2025. No mesmo período, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) recuou 7,1 pontos percentuais.
Outro destaque negativo foi a inadimplência. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias passou de 3,6% no primeiro semestre de 2025 para 8,06% em 2026, mais que dobrando no intervalo de um ano.
Os resultados mostram que, apesar do crescimento da carteira de crédito e do fortalecimento do capital do banco, houve deterioração nos indicadores relacionados à qualidade dos empréstimos e à rentabilidade.
Inadimplência e provisões aumentam
Considerando apenas a carteira própria do BNB, a inadimplência superior a 90 dias chegou a 8,1%. Já nas operações financiadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o indicador passou de 4,1% para 4,3%.
O aumento das perdas esperadas também elevou o peso das provisões sobre o resultado financeiro. No primeiro semestre, elas representaram 26% da margem financeira do banco, contra 15% no mesmo período de 2025.
Nas operações do FNE, o percentual subiu de 22,8% para 36,3%.
Outro indicador que apresentou piora foi o índice de eficiência, que avançou 2,8 pontos percentuais. Nesse indicador, números menores representam melhor desempenho operacional.
Segundo trimestre concentra piora
A deterioração dos resultados ficou mais evidente no segundo trimestre do ano.
Entre janeiro e março, o BNB havia obtido lucro líquido de R$ 488 milhões, crescimento de 43% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Já entre abril e junho, o lucro ficou em R$ 569 milhões. O resultado representa uma retração de 45,4% em relação aos R$ 1,042 bilhão registrados no segundo trimestre do ano passado.
O lucro recorrente do banco também apresentou queda no trimestre, de 30,2% na comparação anual.
Carteira de crédito cresce
Apesar da redução do lucro e do aumento da inadimplência, o banco registrou expansão nos negócios.
A carteira formada por operações próprias e recursos do FNE avançou 10,7% em 12 meses, chegando a R$ 183,4 bilhões.
O saldo do FNE alcançou R$ 163,9 bilhões, crescimento de aproximadamente 11,8%. Já a carteira própria do banco avançou cerca de 2,1%, para R$ 19,5 bilhões.
O patrimônio líquido também cresceu. A alta foi de 13,4%, enquanto o índice de Basileia chegou a 15,14%, indicando o nível de capitalização da instituição diante dos riscos de suas operações.
Contratações somaram R$ 21,3 bilhões
Na divulgação dos resultados do segundo trimestre, o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, destacou o volume de novas contratações realizadas no período.
Segundo o executivo, foram contratados R$ 21,3 bilhões entre abril e junho, alta de 1,2% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Do total, R$ 3,5 bilhões foram destinados ao Crediamigo, principal programa de microcrédito produtivo orientado do banco, enquanto R$ 3,1 bilhões foram contratados por meio do Agroamigo, voltado ao financiamento de atividades produtivas no meio rural.
Os números do primeiro semestre mostram, portanto, um cenário de expansão da carteira e do capital do BNB, mas acompanhado por aumento expressivo da inadimplência, maior necessidade de provisões e redução da rentabilidade.
Fonte: CN7