O Grupo Mateus (GMAT3), uma das maiores redes varejistas do Brasil, registrou lucro líquido de R$ 237 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa uma queda de 39,3% em relação aos R$ 390,4 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Apesar da retração anual, o lucro apresentou recuperação em relação ao primeiro trimestre de 2026, com alta de 11,2%.
O desempenho da companhia no período foi marcado por crescimento da receita e do lucro bruto, mas também por pressão sobre as margens e redução das vendas nas lojas já existentes.
Receita cresce, mas mesmas lojas recuam
Entre abril e junho, a receita líquida do Grupo Mateus chegou a R$ 9,85 bilhões, crescimento de 12,2% na comparação anual e de 4,8% em relação ao primeiro trimestre.
O lucro bruto alcançou R$ 2,31 bilhões, alta de 10,4% sobre o segundo trimestre de 2025.
O avanço da receita foi impulsionado principalmente pela abertura de novas unidades e pela expansão da operação da companhia nas regiões Norte e Nordeste.
Por outro lado, as vendas em mesmas lojas, indicador que desconsidera unidades abertas ou fechadas recentemente e mostra o desempenho das lojas maduras, apresentaram queda de 8%.
O resultado representa uma mudança significativa em relação ao segundo trimestre do ano passado, quando o indicador havia registrado crescimento de 6,1%.
EBITDA também recua
A pressão sobre a rentabilidade também apareceu no resultado operacional. O EBITDA pós-IFRS 16 somou R$ 682 milhões no trimestre, uma queda de 12,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, porém, houve recuperação de 25,5%.
A margem EBITDA ficou em 6,9%, ante 8,8% no segundo trimestre de 2025, uma redução de 1,9 ponto percentual.
Os números mostram o desafio enfrentado pelo grupo para conciliar a expansão da rede com a rentabilidade das operações. Enquanto novas lojas ajudam a ampliar o faturamento, o desempenho mais fraco das unidades maduras e o aumento das despesas pressionam os resultados.
Grupo Mateus fechou 28 lojas
O resultado ocorre em meio a um processo de reestruturação do Grupo Mateus. Entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, a companhia fechou 28 lojas e desligou aproximadamente 6,6 mil funcionários, segundo informações divulgadas ao mercado.
Os cortes atingiram principalmente operações no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
A estratégia representa uma mudança em relação ao período de forte expansão territorial da empresa. Agora, a prioridade passou a ser a rentabilidade e a maturação das unidades consideradas estratégicas.
A companhia busca reduzir a exposição a operações com desempenho abaixo do esperado e preservar as margens em um cenário de maior pressão sobre o varejo alimentar.
Cenário desafiador para o varejo
O Grupo Mateus enfrenta ainda um ambiente de consumo mais pressionado, custos logísticos elevados, juros altos e forte concorrência no setor de supermercados e atacarejo.
Nesse cenário, a abertura de novas unidades passa por uma avaliação mais rigorosa. O plano de expansão não foi necessariamente abandonado, mas a prioridade é garantir que novos investimentos apresentem retorno adequado.
O desempenho do segundo trimestre mostra justamente esse contraste: a companhia continua crescendo em receita, mas encontra dificuldades para transformar esse avanço em lucro na mesma proporção.
O Grupo Mateus foi fundado por Ilson Mateus Rodrigues e construiu uma forte presença principalmente nas regiões Norte e Nordeste. A empresa abriu capital na Bolsa e se tornou uma das maiores companhias do varejo alimentar brasileiro.