O assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Peter Navarro, afirmou nesta terça-feira (11), durante entrevista a jornalistas na Casa Branca, que empresas brasileiras estão entre as quatro companhias que, segundo ele, controlam cerca de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos.
Navarro classificou a concentração do mercado como um “cartel no processamento de carne bovina” e acusou as empresas de prejudicar tanto os produtores rurais quanto os consumidores americanos.
Segundo o assessor, os frigoríficos estariam pressionando os pecuaristas ao pagar valores baixos pelo gado, enquanto, ao mesmo tempo, cobrariam preços elevados dos supermercados pela carne processada.
“Temos um cartel no processamento de carne bovina”, afirmou Navarro.
Acusação ocorre em meio a tensões comerciais
As declarações acontecem em um momento de forte tensão comercial entre Estados Unidos e Brasil, marcada por medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros.
A indústria de carne bovina é um dos setores afetados pelas discussões comerciais entre os dois países. O Brasil está entre os principais produtores e exportadores de carne bovina do mundo e possui empresas com forte presença no mercado internacional.
A acusação de Navarro, porém, representa uma alegação do governo americano e não significa que tenha sido comprovada a existência de um cartel pelas autoridades responsáveis pela defesa da concorrência nos Estados Unidos.
Concentração do setor é alvo de debate
O mercado americano de processamento de carne bovina é altamente concentrado, com grandes frigoríficos responsáveis por uma parcela significativa do abate e processamento de gado.
Para Navarro, essa concentração permitiria que as empresas exercessem influência sobre os preços pagos aos pecuaristas e cobrados dos consumidores.
A declaração do assessor de Trump coloca novamente em discussão o poder de mercado das grandes empresas do setor e ocorre em meio às medidas do governo americano para reduzir o preço dos alimentos e proteger produtores rurais e consumidores.
As empresas mencionadas por Navarro não foram identificadas individualmente na declaração apresentada durante a entrevista.
