O Ministério das Relações Exteriores da Argentina reagiu na terça-feira (4) à decisão do governo brasileiro de reduzir o nível das relações diplomáticas entre os dois países para o de encarregados de negócios e de retirar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli.
Em nota oficial, a chancelaria argentina afirmou que lamenta a decisão adotada pelo governo brasileiro, classificando a medida como unilateral. Segundo o comunicado, a iniciativa faz com que o Brasil “continue se isolando do resto da região por questões meramente ideológicas”.
O governo argentino também informou que o Itamaraty solicitou o retorno do embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, ao seu país.
Argentina afirma que evitou transformar divergências em crises diplomáticas
No comunicado, a chancelaria destacou que, nos últimos anos, houve manifestações políticas de autoridades dos dois países, mas que a Argentina optou por não transformar esses episódios em incidentes diplomáticos.
“Nestes últimos anos, houve numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países. Em todos os casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Este é o critério que a Argentina mantém hoje”, afirmou o governo argentino.
A nota acrescenta que as relações entre os Estados “não devem ficar submetidas às necessidades políticas e/ou às pessoas dos governantes do momento”.
Embaixador argentino voltou a ser chamado pelo Itamaraty
A manifestação da Argentina foi divulgada no mesmo dia em que o embaixador Daniel Raimondi foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil para receber uma nova comunicação oficial de protesto e ser informado sobre o rebaixamento das relações diplomáticas.
Raimondi já havia sido chamado ao Itamaraty em 26 de julho, um dia após declarações do presidente argentino Javier Milei durante a Convenção Nacional do Partido Liberal, em São Paulo. Na ocasião, Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Após esse episódio, o governo brasileiro convocou para consultas o embaixador Julio Bitelli, que desde então não retornou a Buenos Aires.
Brasil mantém embaixador fora da Argentina
Segundo fontes diplomáticas, novas declarações de Milei consideradas ofensivas pelo governo brasileiro reforçaram o entendimento de que não há disposição, por parte da administração argentina, para restabelecer uma relação diplomática em níveis anteriores.
Com isso, o Itamaraty decidiu manter o rebaixamento das relações bilaterais e informou que Julio Bitelli permanecerá fora da Argentina enquanto persistirem os ataques do presidente argentino.
A partir da decisão, a Embaixada do Brasil em Buenos Aires passa a ser chefiada interinamente pelo ministro-conselheiro Eduardo Uziel, que exercerá a função de encarregado de negócios.
