As ações da Braskem registraram forte queda nesta segunda-feira (24), após a companhia informar que seu Conselho de Administração aprovou o ajuizamento de um pedido de recuperação extrajudicial. A empresa, que possui dívidas superiores a R$ 56 bilhões, deverá protocolar a solicitação após a conclusão da documentação necessária.
Às 12h50, pelo horário de Brasília, os papéis da petroquímica recuavam 5,33%, negociados a R$ 4,80. No mesmo momento, o Ibovespa operava em alta de 1,04%, próximo da marca de 172 mil pontos.
Braskem enfrenta cenário financeiro desafiador
Fundada em agosto de 2002, a Braskem surgiu a partir da integração de empresas ligadas à Odebrecht e ao Grupo Mariani. A companhia completa 24 anos em agosto e se apresenta como a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e a principal fabricante de polipropileno dos Estados Unidos.
A empresa, entretanto, atravessa um período de dificuldades financeiras, em meio a dívidas elevadas e aos impactos de problemas ambientais que afetaram sua situação econômica e a percepção do mercado sobre seus papéis.
A decisão pela recuperação extrajudicial foi comunicada pela Braskem nesta manhã, por meio de um documento enviado ao mercado.
Segundo a companhia, o Conselho de Administração autorizou o ajuizamento do pedido. O protocolo será realizado depois que os documentos necessários forem formalizados.
No comunicado, a Braskem informou que a medida tem como finalidade criar condições jurídicas para a negociação e execução de uma reestruturação de aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras quirografárias.
A empresa ressaltou que a recuperação extrajudicial terá alcance exclusivamente financeiro. As obrigações relacionadas a fornecedores, clientes e demais partes envolvidas nas operações da companhia não fazem parte da medida e, segundo a Braskem, continuam sendo cumpridas normalmente conforme os contratos vigentes.
Como funciona a recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores um plano para reorganizar determinadas dívidas. Depois de firmado, o acordo pode ser levado à Justiça para homologação.
O mecanismo é diferente da recuperação judicial porque busca inicialmente uma negociação entre a companhia e os credores envolvidos.
Caso não seja obtido o apoio necessário para a aprovação do acordo, a empresa poderá recorrer à recuperação judicial, dependendo das circunstâncias e dos requisitos previstos na legislação.
