A ex-deputada federal Carla Zambelli afirmou neste domingo (26) que não está foragida e que mantém residência fixa na Itália, após críticas do deputado italiano Angelo Bonelli sobre sua situação no país.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zambelli disse que as autoridades italianas têm conhecimento de sua localização e que segue as medidas impostas pela Justiça local.
“Desde que fui libertada, permaneço na Itália. Meu endereço é conhecido pelas autoridades italianas. Tenho uma residência fixa e estou cumprindo rigorosamente todas as determinações da Justiça italiana”, declarou.
A manifestação ocorreu após Bonelli afirmar que ninguém saberia o paradeiro da ex-parlamentar e sugerir que ela estaria aguardando as eleições brasileiras de outubro para buscar uma possível anistia, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.
Zambelli negou a acusação e afirmou que viajou à Itália, país do qual também possui cidadania, em busca de proteção jurídica.
“Não sou uma fugitiva. Cheguei à Itália em busca de proteção, em um país do qual também sou cidadã. Estou exercitando um direito que a lei me garante”, afirmou.
A ex-deputada também declarou ser vítima de perseguição política e fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sem citar diretamente o nome do magistrado.
Processos de extradição
Zambelli foi condenada no Brasil em dois processos e deixou o país rumo à Itália. Ela foi presa em julho de 2025, mas posteriormente passou a responder ao processo em liberdade após decisão da Justiça italiana.
Em um dos casos, relacionado à invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Corte de Cassação de Roma anulou decisões anteriores e determinou sua libertação. A corte italiana também determinou a continuidade da análise do pedido de extradição.
O segundo processo envolve a condenação por porte ilegal de arma de fogo. Nesse caso, a Justiça italiana determinou que o processo fosse reavaliado pela Corte de Apelação de Roma, citando a necessidade de esclarecimentos sobre garantias relacionadas ao atendimento médico caso ela seja enviada ao Brasil.
A Justiça italiana afirmou que o quadro de saúde de Zambelli exige acompanhamento especializado e avaliou as condições oferecidas no sistema prisional brasileiro antes de uma decisão definitiva sobre a extradição.