A Polícia Federal avalia solicitar a inclusão do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional criado recentemente para auxiliar na localização de bens e ativos relacionados a investigações criminais.
A possibilidade passou a ser considerada após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de um inquérito para investigar o repasse de R$ 61 milhões feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A difusão prateada funciona de maneira semelhante à difusão vermelha da Interpol, usada para localizar pessoas procuradas pela Justiça. A diferença é que o novo mecanismo tem como foco identificar patrimônio, valores e ativos mantidos em outros países. A ferramenta foi utilizada pela primeira vez no início de 2025, em uma investigação envolvendo um mafioso italiano.
A análise sobre uma possível inclusão de Flávio Bolsonaro no mecanismo internacional ocorre após a abertura do inquérito motivado por um áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil. Na gravação, o senador aparece cobrando de Vorcaro recursos destinados à produção do filme.
Investigadores trabalham com a hipótese, já levantada por pessoas próximas ao parlamentar, de que os valores teriam sido enviados integralmente ao exterior e poderiam ter sido utilizados para uma finalidade diferente da informada.
Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não se manifestou. Quando as informações sobre o financiamento da produção vieram a público, o senador negou que os recursos tenham sido destinados ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos.
Em nota, Flávio afirmou que era “falsa a insinuação” e declarou que “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.
Segundo integrantes da investigação, ainda não existe um pedido formal para incluir o senador na lista da Interpol. A medida é avaliada como uma alternativa caso os mecanismos tradicionais de cooperação jurídica internacional não sejam suficientes para localizar os valores investigados.
A Polícia Federal também pretende solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro na difusão prateada da Interpol. A corporação já informou ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, que pretende ampliar o rastreamento internacional dos bens do empresário.
Paralelamente, a PF vem compartilhando informações com o Banco Central. Após determinar a liquidação extrajudicial do Banco Master, a autoridade monetária nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas como responsável pelo processo. Desde então, a instituição atua na Justiça para localizar e bloquear bens e ativos que possam ter sido desviados em benefício de Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Criada em 2025, a difusão prateada ainda está em fase piloto na Interpol e tem como objetivo facilitar a cooperação entre países para rastrear recursos financeiros e patrimônios relacionados a investigações.
Caso a inclusão seja autorizada, a Polícia Federal poderá informar aos países-membros da organização onde existem suspeitas de que os investigados mantenham bens ou valores. A partir dessas informações, autoridades estrangeiras poderão localizar ativos e, conforme as leis locais, comunicar a existência deles ao Brasil ou adotar medidas de bloqueio.