Um mês após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela, o país ainda enfrenta um cenário de destruição, incertezas e dificuldades no atendimento às vítimas.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou nesta sexta-feira (24) que cerca de 6 mil pessoas continuam acampadas nas ruas de La Guaira, região mais afetada pelos tremores, e na capital Caracas, sem acesso adequado a abrigo ou serviços básicos.
Segundo o governo venezuelano, mais de 23 mil pessoas estão distribuídas em 107 acampamentos temporáriosmontados para receber famílias atingidas pela tragédia.
Os números oficiais, porém, seguem sendo questionados por organizações independentes devido à falta de transparência historicamente atribuída ao regime chavista. As autoridades confirmaram a morte de aproximadamente 5,4 mil pessoas, mas uma plataforma independente, chamada Desaparecidos Terremoto Venezuela, afirma que 29.475 pessoas ainda não foram localizadas.
Equipes de resgate começam a deixar o país
Enquanto famílias ainda aguardam respostas, equipes internacionais de busca e resgate iniciaram a retirada da Venezuela.
O grupo mexicano Los Topos de Tlatelolco, especializado em operações de salvamento, anunciou o encerramento da missão após considerar concluída a chamada “janela biológica” para encontrar sobreviventes. A saída também permitiu a entrada de equipamentos pesados para a busca por vítimas entre os escombros.
A Espanha também encerrou a atuação de seu hospital de campanha instalado em Caracas no início de julho.
Oposição critica resposta do governo
O líder oposicionista Edmundo González criticou a atuação do governo venezuelano diante da tragédia.
Em uma publicação nas redes sociais, González afirmou que os problemas enfrentados após os terremotos refletem dificuldades anteriores do país, como falta de estrutura, corrupção e ausência de transparência.
“A tragédia simplesmente tornou impossível escondê-las”, escreveu.
Segundo o oposicionista, embora os terremotos sejam fenômenos naturais imprevisíveis, o governo tem responsabilidade de garantir proteção e assistência à população em momentos de crise.
A Venezuela segue em processo de recuperação enquanto famílias afetadas continuam aguardando atendimento, informações sobre desaparecidos e reconstrução das áreas atingidas.