Sergey Vladimirovich Cherkasov é apontado por autoridades de inteligência do Brasil, dos Estados Unidos e da Holanda como um suposto agente de inteligência militar da Rússia, conhecido como “espião de identidade falsa” (ilegal, no jargão dos serviços de espionagem).
Segundo as investigações, Cherkasov viveu no Brasil utilizando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, um suposto brasileiro nascido em Niterói (RJ). Com esse nome, ele teria construído uma vida civil e circulado internacionalmente.
O caso ganhou repercussão porque, usando a identidade falsa, Cherkasov chegou a ser aceito para um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda. Investigadores suspeitam que o objetivo seria obter acesso a informações sensíveis relacionadas a crimes de guerra e investigações internacionais.
Preso em Brasília desde 2022, após ser identificado como suspeito de espionagem, Cherkasov cumpre pena no Brasil e também enfrenta processos relacionados à sua permanência irregular no país. O Ministério da Justiça determinou sua expulsão, com proibição de retorno por 30 anos, mas a medida depende do encerramento da situação judicial.
Reclamações durante a prisão
Durante o período de custódia, Cherkasov afirmou ter enfrentado dificuldades no sistema prisional, como:
- retirada de revistas, palavras cruzadas e cartas em russo;
- restrições que, segundo ele, dificultavam suas atividades de leitura;
- pouca exposição à luz solar;
- redução de iluminação na cela.
Ele chegou a fazer greve de fome para tentar recuperar materiais de leitura.
Suposto assédio por integrantes do PCC
Segundo relatos apresentados por Cherkasov e documentos oficiais, ele teria sofrido pressão psicológica e suposto assédio por parte de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O episódio teria começado após a divulgação de uma reportagem sobre o caso do espião. Depois de um tumulto no pátio da unidade prisional, no qual outro detento teria ficado ferido, Cherkasov pediu para permanecer isolado alegando temer pela própria segurança.
As autoridades brasileiras passaram a avaliar medidas para preservar sua integridade dentro do sistema penitenciário, enquanto