A Rússia ampliou o recrutamento de estudantes universitários e de escolas técnicas para reforçar suas forças militares na guerra contra a Ucrânia, diante das elevadas baixas registradas desde o início do conflito. A estratégia prioriza jovens para atuar em unidades de drones, apresentadas pelo governo como uma alternativa mais tecnológica e, supostamente, menos arriscada.
Entre os casos relatados está o de Valery Averin, de 23 anos, estudante de uma escola técnica na Buriácia. Após apenas três meses de treinamento com drones, ele morreu em abril durante um ataque de morteiro na região de Luhansk. Segundo sua mãe adotiva, o jovem foi enviado para um ataque frontal, apesar da promessa de atuar em uma função especializada.
Outros estudantes também morreram pouco tempo depois de assinarem contratos com o Exército. Vladislav Gorbunov, de 18 anos, e Rakhim Abdullin, também de 18 anos, perderam a vida poucos meses após o alistamento, embora tivessem ingressado acreditando que trabalhariam em operações de drones consideradas mais seguras.
Levantamento da BBC News Rússia aponta mais de 230 mil mortes confirmadas entre militares russos desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, embora especialistas estimem que o número real possa variar entre 417 mil e 509 mil mortos. A inteligência britânica também calcula que as perdas russas se aproximam de 500 mil.
Para atrair estudantes, o governo oferece salários elevados, bônus financeiros, promessas de retorno facilitado aos estudos e benefícios acadêmicos. Em algumas instituições, os jovens recebem a garantia de contratos de apenas um ano de duração.
No entanto, especialistas em direitos humanos alertam que esses contratos podem não ser cumpridos. Desde a mobilização parcial decretada pelo presidente Vladimir Putin em 2022, muitos militares permanecem em serviço por tempo indeterminado, independentemente do prazo inicialmente acordado.
A investigação da BBC também encontrou indícios de pressão sobre estudantes com dificuldades acadêmicas ou prestes a abandonar os cursos. Em algumas universidades, dirigentes teriam recebido metas de recrutamento, embora instituições neguem a existência dessas cotas.
Outro ponto destacado é que operadores de drones também passaram a ser alvos prioritários no campo de batalha. Segundo a BBC, ao menos 920 operadores de drones russos tiveram suas mortes confirmadas desde o início da guerra, evidenciando que essa função está longe de ser livre de riscos.
O caso de Valery Averin, segundo sua família, ilustra a distância entre as promessas feitas durante o recrutamento e a realidade enfrentada por muitos jovens enviados ao conflito.