O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (23/7) que o governo do Irã tem buscado, de forma direta e indireta, abrir negociações com Washington para tentar encerrar as tensões diplomáticas e militares entre os dois países. Apesar disso, o chefe da diplomacia americana afirmou que Teerã ainda não demonstra estar disposto a aceitar as condições necessárias para um acordo definitivo.
“O Irã está nos implorando, direta e indiretamente: ‘Vamos fazer um acordo. Vamos conversar’”, disse Rubio a jornalistas após reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Manila, nas Filipinas.
“O problema com o Irã é que, sempre que fazem um acordo, os responsáveis ou o rompem ou querem alterá-lo. Portanto, parece que não estão prontos para fechar um acordo; assim, continuarão pagando um preço, e esse preço fica cada vez mais alto a cada noite”, completou.
Ao comentar a situação do país, Rubio classificou o regime iraniano como liderado por “clérigos radicais” e criticou a forma como o governo administra a economia e distribui os recursos públicos.
Segundo o secretário, o Irã reúne condições para se tornar uma das economias mais fortes do Oriente Médio, mas, em sua avaliação, o governo prefere destinar recursos para grupos aliados, como Hezbollah, Hamas e Houthis, em vez de investir na melhoria da qualidade de vida da população iraniana.
Questionado sobre a estratégia militar dos Estados Unidos diante das ameaças de retaliação adotadas pelo Irã sob a lógica de “olho por olho”, Rubio afirmou que a administração do presidente Donald Trump manterá uma postura firme diante de qualquer ação hostil.
De acordo com o secretário, a política americana segue baseada na dissuasão, indicando que qualquer ataque contra interesses dos Estados Unidos receberá uma resposta ainda mais contundente.
Rubio também afirmou que as sanções econômicas e as ações militares promovidas pelos EUA vêm provocando impactos significativos sobre a infraestrutura industrial e militar iraniana. Segundo ele, a pressão continuará sendo intensificada até que Washington alcance seu principal objetivo estratégico: impedir definitivamente que o Irã desenvolva armas nucleares e eliminar o que considera uma ameaça atômica na região.
Durante a entrevista, o secretário também comentou rumores sobre um possível apoio da Rússia ao programa de armamentos iraniano e descartou essa possibilidade.
Por outro lado, Rubio acusou o Irã de incentivar a atuação da milícia Houthi, do Iêmen, no conflito regional. Segundo ele, Teerã teria estimulado o grupo a atacar embarcações ligadas à Arábia Saudita e defendeu que os rebeldes interrompam imediatamente as ofensivas contra navios comerciais.
