Um relatório da Polícia Federal menciona uma conversa envolvendo Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, na qual o empresário indica quais integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seriam favoráveis à venda da instituição financeira para o Banco de Brasília (BRB).
De acordo com o documento, ao qual a coluna teve acesso, o diálogo ocorreu em 19 de agosto de 2025 entre Vorcaro e um jornalista. Durante a conversa, o repórter questiona quais integrantes do governo apoiavam a operação.
Em resposta, Vorcaro afirma que os principais apoiadores seriam o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Segundo a Polícia Federal, a declaração indica que o empresário enxergava Jaques Wagner como um aliado político em uma negociação considerada de natureza regulatória, sujeita à análise técnica do Banco Central.
“O alinhamento do parlamentar transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”, afirma um trecho do relatório encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Na avaliação dos investigadores, a coincidência entre o apoio atribuído ao senador à negociação envolvendo o Banco Master e as cobranças realizadas por seu enteado, Eduardo Sodré Martins, a Augusto Ferreira Lima por valores pendentes relacionados à BN Financeira reforçaria a hipótese de que o apoio político e os supostos repasses ao núcleo familiar fariam parte de um mesmo contexto investigado.
Segundo a PF, há suspeitas de que ambos os fatos “integravam circuito único de contrapartidas recíprocas”.
Investigação da Operação Compliance Zero
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
De acordo com a investigação, o senador teria recebido benefícios considerados indevidos ao longo dos últimos anos, entre eles o uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro, ingressos para eventos e a negociação de um apartamento em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.
A Polícia Federal suspeita que o imóvel tenha sido adquirido pelo ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, com a participação de intermediários ligados ao grupo investigado, com o objetivo de beneficiar o parlamentar.
Além disso, os investigadores apuram uma suposta atuação de Jaques Wagner em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
O senador nega qualquer irregularidade. Segundo sua versão, ele procurou Augusto Lima para adquirir temporariamente o apartamento, assumindo o compromisso de recomprá-lo posteriormente para destiná-lo à filha.
Com informações de Metrópoles
