A Receita Federal realizou nesta sexta-feira (10) a maior apreensão de canetas e ampolas para emagrecimento já registrada na aduana da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR). Ao todo, 5.850 unidades foram encontradas escondidas sob o capô de uma van com placa paraguaia que tentava entrar no Brasil.
Durante a fiscalização, o motorista, de nacionalidade paraguaia, fugiu de volta para o Paraguai quando foi solicitado a abrir o capô do veículo. No compartimento oculto, os agentes localizaram medicamentos à base de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) e retatrutida, substância que ainda não possui aprovação para comercialização em nenhum país.
Além da importação ilegal, a Receita destacou que os produtos eram transportados de forma inadequada, expostos ao calor do motor, o que compromete a estabilidade da tirzepatida, que deve ser mantida refrigerada entre 2°C e 8°C.
A carga, avaliada em aproximadamente R$ 735 mil, foi apreendida e será destruída. Os passageiros da van prestaram depoimento e foram liberados.
Segundo a Receita Federal, o contrabando de medicamentos para emagrecimento cresceu de forma expressiva em 2026. Até o momento, já foram apreendidas 115.647 canetas e ampolas, um aumento de 1.446% em relação às 7.479 unidadesapreendidas em 2025.
O avanço desse mercado ilegal é impulsionado pela grande diferença de preços. Enquanto o tratamento com Mounjaro pode custar a partir de R$ 3.499 no Brasil, versões vendidas em farmácias de Ciudad del Este chegam a ser comercializadas por cerca de R$ 430, muitas vezes sem exigência de receita médica. A Anvisa proíbe a importação dessas versões paraguaias, e a fabricante Eli Lilly alerta que medicamentos adquiridos fora da cadeia oficial não têm garantia de qualidade, armazenamento adequado ou autenticidade.