A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (3) Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária sancionada pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A detenção ocorreu dois dias após a divulgação das sanções impostas pela administração de Donald Trump.
Apesar da repercussão internacional do caso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a prisão não foi motivada pelo comunicado norte-americano. Segundo ele, as investigações já estavam em andamento e a corporação apenas antecipou etapas após a divulgação das medidas dos Estados Unidos.
Em conversa com jornalistas, Rodrigues reforçou que não houve mudança de rumo na apuração em razão das sanções e que o trabalho já estava previsto dentro do curso normal da investigação.
PF critica associação entre facções e terrorismo
Durante a coletiva, o diretor-geral também voltou a afirmar que considera um “erro grave” a tentativa de equiparar organizações criminosas brasileiras a grupos terroristas. Segundo ele, essa classificação gera mais problemas do que soluções e não reflete a abordagem adotada pela Polícia Federal no combate ao crime organizado.
Rodrigues destacou ainda que a PF mantém atuação contínua e ostensiva contra facções criminosas no país.
Operação Sem Desconto e investigações em andamento
No mesmo encontro com jornalistas, o diretor-geral da PF apresentou atualizações sobre outras frentes de investigação. Segundo ele, cerca de 40% do material apreendido na Operação Sem Desconto já foi analisado, e 27 pessoas foram presas até o momento.
Rodrigues afirmou que o tratamento das investigações segue critérios técnicos e legais, sem distinção entre investigados.
Ao ser questionado sobre a quebra de sigilo envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o diretor-geral afirmou que não há diferenciação no tratamento dado aos casos e que as apurações seguem dentro das prerrogativas legais.
Delação de Daniel Vorcaro e atuação da PF
Sobre a possibilidade de delação premiada no caso envolvendo o Banco Master, o diretor-geral afirmou que esse instrumento é um direito da defesa e não depende de interesse da Polícia Federal.
Rodrigues ressaltou ainda que a investigação já possui elementos suficientes e que eventuais novas informações dependem da colaboração dos investigados.
Ele também afirmou que a PF ainda não solicitou a inclusão do empresário Daniel Vorcaro na lista da Interpol.
Segurança eleitoral e atuação da PF
O diretor-geral destacou ainda o planejamento da Polícia Federal para o período eleitoral. Segundo ele, já há articulação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com superintendências regionais para garantir segurança no processo de votação.
A PF trabalha com três eixos principais para o período eleitoral: combate à violência contra candidatos, enfrentamento à desinformação e fiscalização do uso de recursos ilícitos, como caixa dois.
As ações de proteção devem ser intensificadas após as convenções partidárias, com reforço de estrutura e equipamentos voltados à segurança do processo eleitoral.
