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Início Justiça

PF aponta empresário foragido como operador do PCC e revela esquema bilionário

Por Junior Melo
03/jul/2026
Em Justiça
Foto: Reprodução/GloboNews

Foto: Reprodução/GloboNews

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Apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores financeiros do crime organizado no Brasil, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada é considerado foragido e figura no centro da Operação Exchange, que investiga um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas.

Segundo a PF, Shimada utilizava uma rede com mais de 70 empresas de fachada para ocultar a origem de recursos ilícitos e movimentar grandes quantias de dinheiro provenientes do narcotráfico. As investigações indicam que a estrutura era usada para dificultar o rastreamento das operações financeiras e conferir aparência de legalidade aos valores.

O empresário também foi alvo de sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. As autoridades norte-americanas o apontam como um elo financeiro entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Flórida e traficantes internacionais.

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De acordo com o governo dos EUA, Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões — cerca de R$ 155 milhões — por meio de operações com criptomoedas, enviando posteriormente os recursos para o Brasil.

Empresas também aparecem em investigação sobre o Corinthians

As apurações da Polícia Federal apontam ainda que empresas ligadas a Shimada, entre elas a Victory Trading e a Wave Construções Inteligentes, também aparecem em uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos desviados do Corinthians.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Shimada, dirigentes do clube e outros investigados respondem por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.

A acusação sustenta que um desvio de R$ 1,4 milhão ocorreu após a inclusão da empresa Rede Social Media Design, ligada a Alex Fernando André, conhecido como “Alex Cassundé”, como intermediária no contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet.

Ainda conforme a denúncia, os recursos passaram por diversas empresas, incluindo a Neoway e a Wave Construções Inteligentes, antes de chegarem à agência de jogadores UJ Football Talent. Para os investigadores, o percurso financeiro tinha como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro.

Secretária e empresas do grupo também foram sancionadas

Além de Victor Shimada, os Estados Unidos aplicaram sanções contra Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como parente e secretária do empresário.

Segundo o Departamento do Tesouro, ela prestava apoio logístico ao esquema, intermediando a movimentação de grandes quantias de dinheiro em espécie.

As sanções também atingiram empresas ligadas ao grupo, entre elas a Pixwave, no Brasil, e a transportadora portuguesa Avenidas Flutuantes.

Operação foi antecipada após sanções dos EUA

A divulgação das sanções ocorreu poucos dias depois de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a decisão das autoridades norte-americanas obrigou a corporação a antecipar a deflagração da Operação Exchange. Segundo ele, isso prejudicou o planejamento da investigação e contribuiu para que Victor Shimada não fosse localizado, passando a ser considerado foragido.

Apesar disso, a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 10,4 bilhões em bens, ativos financeiros e criptomoedas dos investigados.

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos podem produzir efeitos sobre instituições financeiras brasileiras e defendeu que o combate ao crime organizado seja conduzido por meio da cooperação internacional.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, também manifestou preocupação com possíveis impactos das medidas sobre a soberania nacional e sobre o funcionamento de sistemas de pagamento brasileiros, caso instituições financeiras do país venham a ser alvo de sanções estrangeiras.

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