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Início Mundo

Petro se recusa a passar faixa da presidência da Colômbia e deixa cargo antes

Por Junior Melo
06/jul/2026
Em Mundo, Política
Gustavo Petro e seus familiares foram incluídos na lista de indivíduos supostamente associados ao narcotráfico pelos EUA — Foto: Anadolu via Getty Images/BBC

Gustavo Petro e seus familiares foram incluídos na lista de indivíduos supostamente associados ao narcotráfico pelos EUA — Foto: Anadolu via Getty Images/BBC

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou que antecipará seu discurso de despedida para o próximo dia 20 de julho, data em que o país celebra a Independência. O pronunciamento será realizado em praças públicas, cerca de um mês antes do encerramento oficial de seu mandato, previsto para 7 de agosto.

A decisão rompe com a tradição de pronunciamentos realizados no início de agosto, período que Petro classificou como uma “data trágica”. Com a mudança, o presidente pretende levar o debate político para as ruas em meio ao cenário pós-eleitoral.

O anúncio também ocorre paralelamente à conclusão da apuração oficial do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 21 de junho. Petro voltou a defender uma “mobilização geral” e a organização de uma “resistência” popular após a disputa eleitoral.

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No primeiro turno, realizado em maio, o candidato de direita Abelardo de la Espriella obteve 43,7% dos votos, enquanto o governista Iván Cepeda recebeu 40,9%. Na ocasião, Petro questionou a pré-contagem dos votos e criticou o sistema utilizado pela empresa Thomas Greg & Sons (TGS), alegando uma suposta divergência de aproximadamente 800 mil eleitores no cadastro eleitoral.

As declarações foram contestadas pelo ex-presidente Iván Duque, que acusou Petro de colocar em dúvida o processo democrático.

Dias após o segundo turno, Iván Cepeda reconheceu oficialmente a vitória de Abelardo de la Espriella. Inicialmente, o candidato governista e o partido Pacto Histórico haviam solicitado a impugnação de cerca de 33 mil mesas eleitorais por supostas falhas técnicas.

O pedido perdeu força após o Registrador Nacional informar que a diferença entre a apuração preliminar e o escrutínio oficial foi de apenas 0,003% das cédulas analisadas.

A contagem definitiva confirmou a vitória de Abelardo de la Espriella com 12.959.542 votos (49,6%), contra 12.708.712 votos (48,6%) de Iván Cepeda, uma diferença de cerca de 250 mil votos.

Ao reconhecer o resultado, Cepeda declarou que aceitava a decisão apontada pelo processo oficial de apuração. O presidente eleito também recebeu mensagens de felicitações de diversos líderes internacionais, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Novo governo enfrentará Congresso dividido

Conhecido como “El Tigre”, Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento Defensores da Pátria e construiu sua campanha com foco em segurança pública, tema apontado por pesquisas como uma das principais preocupações da população colombiana.

Entre suas propostas estão o encerramento dos diálogos com grupos armados, o reforço das operações militares, a construção de dez megapresídios e a retirada da Colômbia de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos.

Apesar da vitória, o presidente eleito deverá governar com um Congresso fragmentado. As eleições legislativas indicam que o Pacto Histórico permanecerá com uma das maiores bancadas, cenário que deve exigir negociações para a aprovação de projetos a partir do início do novo mandato, em agosto.

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