O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi convidado pelo governo dos Estados Unidos para participar de uma reunião no Departamento de Estado, em Washington, prevista para a próxima quarta-feira (15). O encontro discutirá o avanço do terrorismo político no cenário internacional.
Segundo informações de bastidores, o chanceler ainda não confirmou presença. A avaliação no Itamaraty é que a viagem dificilmente ocorrerá, tanto por compromissos já previstos na agenda quanto pela orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de evitar ampliar o desgaste diplomático com o governo norte-americano.
Convite ocorre em meio a tensão entre Brasil e EUA
O convite acontece em um momento de relações delicadas entre Brasília e Washington.
Nas últimas semanas, os dois países passaram a divergir em temas como a imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
O governo brasileiro discorda desse enquadramento. Para o Planalto, as facções são organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas, sem motivação política ou ideológica, requisito considerado essencial para caracterizar terrorismo.
Declaração de Mauro Vieira gerou repercussão
Durante o debate sobre o tema, Mauro Vieira afirmou que esse tipo de classificação poderia abrir precedente para uma eventual intervenção militar norte-americana em território brasileiro.
A declaração provocou reação da oposição, que aprovou requerimentos para convocar o chanceler a prestar esclarecimentos em comissões da Câmara dos Deputados e do Senado.
Itamaraty vê pouco espaço para negociação
Na quinta-feira (9), o presidente Lula reuniu-se com Mauro Vieira para discutir a crise diplomática com os Estados Unidos e definir a estratégia brasileira.
Segundo relatos de bastidores, integrantes do Itamaraty avaliam que existe pouca margem para negociação sobre as tarifas anunciadas por Washington e consideram inegociáveis algumas das exigências apresentadas pelo governo norte-americano.
Diplomatas afirmam que o Brasil apresentou esclarecimentos sobre temas como o Pix e encaminhou propostas para uma solução negociada, mas, até o momento, não recebeu resposta das autoridades dos Estados Unidos.
Nos bastidores, a percepção é de que as decisões finais dependerão diretamente do presidente Donald Trump, diante do endurecimento da posição da Casa Branca nas negociações com o governo brasileiro.